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Paralelamente a
hipertrofia muscular, os exercícios resistidos
promovem estímulos para várias qualidades de
aptidão física. No que diz respeito à destreza,
como toda atividade regularmente repetida, os
exercícios resistidos desenvolvem coordenação
neuro-muscular específica. Um importante aspecto
de coordenação desenvolvido pelos exercícios com
pesos é a consciência corporal. Os exercícios
localizados, com movimentos relativamente
lentos, são provavelmente os ideais para
promover estímulo dos proprioceptores
capsulares, nos diferentes graus de amplitude
das articulações. Assim sendo, observa-se que o
praticante desenvolve a capacidade de perceber a
posição exata de seu próprio corpo no espaço,
habilidade importante para a manutenção do
equilíbrio do corpo.
Com relação à
flexibilidade, a maioria dos estudos realizados
sobre os efeitos dos exercícios resistidos
demonstraram aumento ou manutenção deste
parâmetro de aptidão. A grande proliferação de
tecido conjuntivo que acompanha a hipertrofia,
mesmo quando obtida com exercícios parciais,
aumenta a elasticidade do músculo esquelético.
Encurtamento e hipertonia musculares não ocorrem
com a hipertrofia induzida por exercícios. Assim
sendo, efeitos benéficos em distúrbios posturais
somente podem ser explicados pelo alongamento
muscular que acompanha a hipertrofia, e não por
efeitos de tração constante. Da mesma forma,
efeitos de alinhamento e de estabilização
articulares somente podem ser explicados por
maior eficiência das forças geradas durante a
contração muscular. Alguns estudos transversais
que demonstraram pouca flexibilidade em alguns
levantadores de peso basistas levantam como
possíveis causas a seleção de biotipo mais
adaptado para as provas, e talvez algum
obstáculo mecânico produzido por grande
hipertrofia muscular. Esta última hipótese no
entanto não encontra respaldo em estudos com
atletas de musculação competitiva e levantadores
de peso olímpicos, todos com grandes volumes
musculares, e com flexibilidade acima da média.
A flexibilidade dos levantadores olímpicos,
frente à outros atletas, somente é inferior à de
ginastas. Estudos longitudinais bem conduzidos
não demonstraram redução da flexibilidade
durante o treinamento com pesos. Por outro lado,
numerosos estudos documentam aumento de
flexibilidade induzido pelos exercícios com
pesos, na ausência de exercícios específicos
para esta finalidade. Os exercícios com pesos
forçam os limites das amplitudes das
articulações, o que em conjunto com a
proliferação de tecido conjuntivo, explica os
efeitos estimulantes desses exercícios sobre a
flexibilidade. Somente a inatividade, a
imobilização, processos inflamatórios, processos
neoplásicos, doenças espásticas, e descompasso
entre o crescimento longitudinal dos ossos e o
dos músculos podem produzir encurtamento
muscular, absoluto ou relativo. Em nossa
experiência, a maioria dessas condições podem
ser adequadamente tratadas apenas com exercícios
resistidos.
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