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A IMPORTÂNCIA DA
ATIVIDADE FÍSICA
Para que possamos
compreender a importância da atividade física na
promoção da saúde do idoso é necessário
analisarmos a correlação entre atividade física
e saúde na população humana em geral.
Atividade física
sistemática sempre esteve ligada à imagem de
pessoas saudáveis e vigorosas. Durante muito
tempo coexistiram duas interpretações para a
associação de saúde com atividade física. Alguns
imaginavam que pessoas geneticamente
privilegiadas seriam mais propensas à atividade
física por apresentarem constitucionalmente boa
saúde, vigor físico e disposição mental. Outros
acreditavam que a atividade física poderia ser o
estímulo ambiental responsável pela ausência de
doenças, boa aptidão física e saúde mental. A
literatura científica atual permite concluir que
a verdade aparentemente associa as duas
hipóteses. Em todos os estudos populacionais
sempre existem os indivíduos que se afastam da
média, quaisquer que sejam os parâmetros
analisados. Pessoas geneticamente privilegiadas
sempre existiram e são estas pessoas que se
destacam nas diversas atividades humanas. No
caso da atividade física, embora nem todos
possam ou queiram destacar-se como modelos de
desempenho, existe hoje documentação científica
de que as pessoas ativas diminuem a
probabilidade de desenvolverem importantes
doenças crônicas, e melhoram os seus níveis de
aptidão física e disposição mental.
Estudos populacionais criteriosos permitiram
estabelecer relações de causa e efeito entre
atividade física e a menor incidência de algumas
doenças, destacando-se a doença coronariana, a
hipertensão arterial, diabetes do tipo II,
obesidade, osteoporose, neoplasias do cólon,
ansiedade e depressão. Alguns estudos associam
pouca atividade física com altas taxas de
mortalidade por todas as causas, e estima-se que
250.000 mortes por ano nos Estados Unidos da
América poderiam ser evitadas por atividade
física habitual. Particularmente com relação à
doença coronariana critérios epidemiológicos
clássicos para associação causal foram
atendidos:
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Consistência: os estudos quase que
invariavelmente associam pouca atividade física
com fatores de risco para doença coronariana. |
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Força: o risco relativo de doença coronariana
aumenta 1.5 a 2.4 vezes nas pessoas inativas,
níveis semelhantes aos observados para a hipercolesterolemia, a hipertensão arterial e o
tabagismo. |
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Seqüência temporal: a inatividade física tem
sido constatada anteriormente ao estabelecimento
da doença coronariana. |
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Dose resposta:
a maioria dos estudos
demonstram que a incidência de doença
coronariana aumenta na medida em que a atividade
física diminui. |
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Coerência: vários mecanismos conhecidos
explicam os efeitos da atividade física na
redução da incidência da doença coronariana.
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Alguns dos efeitos salutares da atividade física
são o aumento do HDL-colesterol, a redução dos
triglicerídeos, redução da pressão arterial e da
tendência à arritmias pela diminuição da
sensibilidade à adrenalina, redução da agregação
plaquetária e estímulo à fibrinolise, aumento da
sensibilidade das células à insulina, estímulo
ao metabolismo dos carboidratos, estímulo
hormonal e imunológico, redução da gordura
corporal devido ao maior gasto calórico e
tendência à elevação da taxa metabólica pelo
aumento de massa muscular.
Aspecto relevante é que esses benefícios parecem
ser comuns à qualquer tipo de atividade física,
entendida como contração muscular, geralmente
levando ao movimento e sempre com gasto
calórico. Assim sendo, são esperados os mesmos
efeitos salutares advindos do trabalho braçal,
das diversas modalidades esportivas, do lazer
com atividades físicas e dos programas
sistematizados de condicionamento físico.
Qualidades de aptidão como coordenação,
velocidade, força, flexibilidade, potência,
resistência e parâmetros de condição aeróbia são
estimuladas de forma diferente pelas diversas
formas de atividade física, mas esses parâmetros
não se relacionam especificamente com a
qualidade ou magnitude dos efeitos salutares
obtidos. Desta maneira, as atividades físicas
distinguem-se pelo tipo e grau de aptidão
estimulada mas não pelos efeitos na saúde das
pessoas. O único parâmetro que mantém
proporcionalidade com os efeitos salutares é o
gasto calórico das atividades, embora a relação
não seja constante. Em outras palavras, quanto
mais calorias forem gastas em atividade física
habitual maiores serão os benefícios para a
saúde, mas as maiores diferenças na incidência
de doenças ocorrem entre os sedentários e os
pouco ativos. Entre estes e as pessoas mais
ativas, a diferença não é grande. O mínimo de
atividade física necessário para reduzir a
incidência de doenças é de 200 Kcal/dia em
média. Assim sendo, atividades mais intensas
podem ser realizadas em períodos mais curtos e
menos freqüentes, enquanto que atividades menos
intensas precisam ser mais prolongadas e/ou mais
freqüentes.
Diante desses conhecimentos espera-se dos
profissionais de saúde que estimulem as pessoas
a adotarem um estilo de vida mais ativo, mas a
escolha da atividade física deve ser feita em
bases individuais, considerando-se alguns
aspectos importantes:
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Preferência pessoal: Qualquer atividade física
somente será útil para a saúde quando for
constante, e a aderência depende do prazer que a
pessoa sente com ela. Trabalho braçal doméstico
ou não, recreação ativa, esportes e programas de
condicionamento em academias ou em casa são
algumas das opções mais freqüentes.
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Aptidão necessária: As diversas atividades
físicas exigem um mínimo de aptidão para serem
realizadas. Quando este nível é alto, como por
exemplo serrar vigorosamente, carregar objetos
pesados, caminhar em terreno íngreme, remar
embarcações pesadas, correr velozmente, realizar
movimentos violentos, cair ao chão e prolongar
esforços aparentemente suaves, a pessoa deve
iniciar um programa sistematizado de
condicionamento físico gradual com o objetivo de
desenvolver as qualidades de aptidão
necessárias.
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Risco de patogenia: Traumas músculo-esqueléticos são mais comuns em
atividades que envolvam saltos, arremessos,
acelerações e desacelerações violentas, torções
articulares, quedas, impactos e movimentos
excessivamente repetidos. Fenômenos trombóticos
são predispostos pelas atividades prolongadas ao
sol, que se acompanham de desidratação e
acidose. Necrose isquêmica de vilosidades
intestinais e de papilas renais com conseqüente
perda crônica de sangue podem ocorrer nas
atividades excessivamente prolongadas. Isquemia
do miocárdio pode ocorrer quando a freqüência
cardíaca sobe acima dos limites de tolerância
individuais. Rotura de aneurismas ou de vasos
cerebrais ateroscleróticos podem ocorrer quando
a pressão arterial sobe muito durante a
atividade. Depressão hormonal e imunológica
podem ser uma conseqüência de altos volumes de
atividade física sem recuperação adequada do
organismo. |
No caso das pessoas idosas, a importância da
atividade física é grande e deve ser avaliada em
vários aspectos:
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Profilaxia de doenças:
Evidentemente continuam
sendo úteis todos os efeitos salutares da
atividade física anteriormente elencados, mesmo
quando a pessoa nunca foi ativa. A partir do
momento em que a pessoa inicia a atividade
física, começam a melhorar os seus fatores de
risco para doenças crônicas. |
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Tratamento de doenças: Quando já existem
doenças estabelecidas como artrose, diabetes,
osteoporose ou hipertensão, a atividade física
pode ser um importante recurso auxiliar no
tratamento. |
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Melhora da qualidade de vida:
Uma boa
qualidade de vida é entendida do ponto de vista
orgânico como a condição de conseguir realizar
os esforços da vida diária e não apresentar
grande quebra de homeostase durante as
atividades. O sedentarismo prolongado que ocorre
em muitos idosos leva à uma diminuição gradativa
de todas as qualidades de aptidão física,
comprometendo a qualidade de vida. Do ponto de
vista psicológico a atividade física pode ajudar
no combate à depressão, atuando como um
catalisador de relacionamento interpessoal,
produzindo agradável sensação de bem estar, e
estimulando a autoestima pela superação de
pequenos desafios. |
A escolha da atividade física para pessoas
idosas é um aspecto mais complexo do que no caso
de pessoas mais jovens. Considerando que muitos
idosos são sedentários há muitos anos, a perda
de aptidão costuma impossibilitar muitas
atividades que poderiam ser prazeirosas para a
pessoa. Por outro lado, a possivel presença de
osteopenia, artrose, instabilidades articulares,
aterosclerose, diabetes e hipertensão arterial
também limita a escolha da atividade física,
devido ao risco de intercorrências patológicas.
No caso de idosos muito debilitados, o simples
caminhar pode representar uma atividade de risco
devido à possibilidades de quedas. Por estas
razões, os programas sistematizados de
condicionamento físico, adequados para casos
individuais, podem ser a melhor opção para a
atividade física de idosos.
Os programas de condicionamento físico para
idosos devem ser delineados considerando-se a
eficiência, a segurança e os aspectos
motivacionais.
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Eficiência: Os exercícios que melhor estimulam
o aumento da massa óssea, aumento da massa
muscular, e aumento da mobilidade articular são
os mais eficientes para idosos. |
O aumento da massa óssea diminui a probabilidade
de fraturas.
O aumento da massa muscular tem vários
benefícios: eleva a taxa metabólica basal,
facilitando a redução do tecido adiposo; aumenta
a quantidade de tecido com sensibilidade à
insulina aumentada e portanto captador de
glicose; aumenta a proteção de articulações
anatomicamente instáveis por sedentarismo,
processos degenerativos ou inflamatórios,
diminuindo as dores; diminui a possibilidade de
quedas por facilitar a recuperação postural nas
situações de desequilíbrios do corpo;
possibilita a realização de tarefas comuns que
exigem força muscular, como levantar de
cadeiras, subir escadas e deslocar objetos
pesados; diminui a freqüência cardíaca e a
pressão arterial durante os esforços da vida
diária. Este último efeito se deve a que pessoas
mais fortes utilizam menor número de fibras
musculares para realizar as atividades físicas,
fazendo com que seus esforços sejam sempre de
menor intensidade do que os esforços de pessoas
mais fracas, nas mesmas tarefas.
O aumento da mobilidade articular permite a
realização de atividades comuns da vida diária, frequentemente impossibilitadas nos idosos
sedentários por diminuição da flexibilidade.
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Segurança:
Os exercícios utilizados precisam
ser basicamente seguros do ponto de vista musculo-esquelético e cardiovascular.
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A segurança musculo-esquelética é assegurada por
exercícios compatíveis com as amplitudes
articulares encontradas, e que não levem aos
fatores de risco para lesões anteriormente
citados.
A segurança cardiovascular depende de que os
exercícios não aumentem excessivamente a frequência cardíaca ou a pressão arterial.
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Motivação:
Para garantir a motivação os
exercícios devem ser agradáveis, sem desconforto
articular ou respiratório. Para a maioria das
pessoas é estimulante a conquista de pequenos
desafios, o que também reforça o sentimento de
progresso. A interação interpessoal deve ser
possível. |
Classicamente os programas de condicionamento
físico para grupos especiais utilizam exercícios
aeróbios, que são atividades de baixa
intensidade relativamente prolongadas. Isto
sempre se justificou pelo fato de que nos
exercícios mais comuns como correr, pedalar e
nadar, que são realizados de forma contínua, as
atividades de alta intensidade implicam em
maiores velocidades de movimentos e maiores
freqüências cardíacas, aumentando os fatores de
risco para intercorrências patológicas tanto
musculo-esqueléticas como cardiovasculares.
No entanto, a grande eficiência em estimular a
massa muscular e óssea apresentada pelos
exercícios localizados com carga, chamados
genericamente de exercícios resistidos e
geralmente realizados com pesos, chamou a
atenção de pesquisadores para a possibilidade de
sua utilização em promoção de saúde,
particularmente no caso de idosos onde a
osteopenia e a sarcopenia são importantes. Esta
idéia foi estimulada pela constatação de que a
mobilidade articular geralmente limitada dos
idosos também melhorava rapidamente.
Resistência natural à esta proposta ocorreu
devido à que os exercícios com pesos são
anaeróbios de alta intensidade, e também devido
ao conhecimento de que a pressão arterial pode
aumentar excessivamente nesses exercícios. No
entanto, os estudos realizados com critérios
científicos para esclarecer o assunto
documentaram não apenas a eficiência mas também
a segurança dos exercícios com pesos bem
orientados para idosos, pessoas debilitadas ou
doentes. Verificou-se que os inconvenientes dos
exercícios de alta intensidade somente são
válidos para os exercícios contínuos. Mais
recentemente, as evidências epidemiológicas de
que não apenas os exercícios aeróbios produzem
efeitos salutares como pensavam alguns, vem
estimulando a utilização dos exercícios
resistidos em programas para promoção de saúde,
não apenas em reabilitação geriátrica.
Com relação à segurança músculo-esquelética dos
exercícios resistidos, alguns aspectos
atualmente documentados são relevantes: a
intensidade alta é dada pelo aumento da
resistência aos movimentos e não pelo aumento da
velocidade, o que evita vários fatores de lesão;
os pesos ou outras formas de resistência aos
movimentos constituem sobrecargas de treinamento
com ampla margem de segurança, apenas
apresentando efeitos lesivos quando excessivos e
impeditivos dos movimentos biomecanicamente
corretos, o que é facilmente identificado em
treinamento; os pesos nos aparelhos podem ser
adequados sem dificuldades aos níveis de força
das pessoas, e podem induzir esforço menor do
que suportar o peso do próprio corpo para
caminhar; a amplitude dos movimentos pode ser
facilmente adequada às limitações articulares
apresentadas; os movimentos são lentos e
cadenciados, sem mudanças de velocidade ou
direção, sem risco de quedas ou de trauma
direto.
A boa margem de segurança cardiovascular dos
exercícios resistidos está atualmente
documentada e se deve à vários fatores: a
pressão arterial somente apresenta elevações
perigosas quando ocorre a contração muscular
máxima, que tende para a isometria em apnéia, o
que é facilmente evitado em treinamento; nas
repetições que antecedem a contração muscular
máxima a pressão arterial aumenta dentro dos
limites de segurança para a maioria das pessoas;
em relação aos exercícios contínuos, o maior
aumento da presão arterial diastólica durante os
exercícios com pesos contribui para aumentar o
fluxo coronariano para o miocárdio; a
determinação das cargas de treinamento mais
eficientes pode ser feita por tentativas
sucessivas, sem testes de carga máxima, embora
se saiba que geralmente correspondem à 80 % do
peso possível para uma repetição; estes níveis
de carga geralmente permitem cerca de oito
repetições, e sem a contração muscular máxima
produzem aumento discreto da freqüência
cardíaca. Assim sendo, o duplo produto (pressão
arterial sistólica x freqüência cardíaca) no
treinamento com pesos é baixo, já tendo sido
documentado que o treinamento esportivo com
pesos apresenta menor estresse
cardiocirculatório do que o caminhar rápido em
plano levemente inclinado.
Atualmente os programas de condicionamento
físico para idosos estão enfatizando cada vez
mais os exercícios resistidos. Numerosos
trabalhos documentam rápida melhora em aptidão
física para a vida diária, na composição
corporal e na taxa metabólica. Recente trabalho
documentou que idosos que envelheceram correndo
ou nadando apresentaram o mesmo nível de
hipotrofia muscular de idosos sedentários,
enquanto que idosos que envelheceram treinando
com pesos apresentaram níveis de massa muscular
compatíveis com os de pessoas muito mais jovens.
Sabe-se que a hipotrofia muscular de idoso
ocorre nas fibras brancas, não estimuladas pelos
exercícios aeróbios. Aspecto que vem sendo muito
valorizado é a grande oportunidade de
socialização proporcionada pelas sessões de
exercícios com pesos. Isto se deve à que os
exercícios, embora individuais, são realizados
em grupos, onde cada pessoa se sente companheira
da outra, com um objetivo comum que é o
treinamento. Os exercícios não produzem sensação
de cansaço respiratório e são interrompidos para
intervalos de descanso, favorecendo a interação
verbal entre as pessoas.
Ainda no campo da investigação, estão sendo
estudados atualmente os possíveis benefícios do
treinamento com pesos em reabilitação cardíaca.
A idéia não é fortalecer o coração com este tipo
de exercício, mas sim protegê-lo. Muitas vezes
um coração doente pode não responder ou não
suportar o treinamento aeróbio clássico. O
fortalecimento dos músculos esqueléticos com
exercícios resistidos suaves e gradativos
diminui a solicitação cardíaca durante as
atividades da vida diária, pelo mecanismo da
diminuição da intensidade relativa dos esforços,
com importante efeito na qualidade de vida e na
profilaxia de intercorrências patológicas.
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