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Os exercícios
resistidos são aqueles realizados contra alguma
forma de resistência graduável à contração
muscular. Na maioria das vezes, a resistência
são pesos. Tradicionalmente os exercícios com
pesos são reconhecidos pela sua grande
eficiência em aumentar a massa muscular, sendo
portanto muito utilizado no treinamento de
atletas. A sua prática esportiva recebe o nome
de musculação, a atividade de academia que mais
cresce em número de praticantes em todo o mundo.
O grande atrativo
da musculação para pessoas jovens são os efeitos
modeladores do corpo, tanto para o homem quanto
para a mulher. Para desportistas, o objetivo
costuma ser a melhora do desempenho físico. Nos
últimos anos no entanto, numerosos trabalhos
científicos têm demonstrado importantes efeitos
dos exercícios com pesos para a saúde:
1) Os exercícios com pesos conseguem impedir a
perda de mobilidade e a atrofia muscular em
pessoas idosas, ao contrário de corrida e
natação que apenas preservam a flexibilidade.
Corredores e nadadores envelhecidos têm os
mesmos níveis de massa muscular de idosos
sedentários. A atrofia muscular dos idosos é a
principal responsável pela perda de capacidade
funcional para a vida diária, e um fator
predisponente para quedas e fraturas graves.
2) Os aumentos perigosos de pressão arterial e
de freqüência cardíaca que muitos idosos
apresentam nas atividades da vida diária apenas
conseguem ser revertidos com o aumento de massa
muscular induzido pelos exercícios com pesos. O
condicionamento aeróbio não reverte a situação.
A explicação é que para pessoas enfraquecidas,
os esforços da vida diária são de alta
intensidade, determinando respostas
hemodinâmicas excessivas. Para pessoas mais
fortes, os mesmos esforços são de menor
intensidade, exigindo menor grau de esforço
muscular, e conseqüentemente induzindo menores
alterações de pressão arterial e freqüência
cardíaca.
3) Os exercícios com pesos constituem o mais
eficiente estímulo ambiental para aumentar a
massa óssea. Atletas treinados com pesos chegam
a apresentar 40 % mais tecido ósseo nas
vértebras em relação a controles sedentários.
Este efeito abre perspectivas não apenas para o
tratamento da osteoporose, mas também para a sua
profilaxia. Um dos mais importantes fatores
determinantes de osteoporose futura é a massa
óssea de pico que as pessoas atingem logo após
os vinte anos de idade. O treinamento com pesos
na adolescência está sendo considerado como uma
importante conduta profilática para pessoas
predispostas à osteoporose.
4) Os exercícios com pesos parecem ser tão
eficientes quanto os exercícios aeróbios para
evitar doenças cardíacas coronarianas. Em 1995 o
National Institutes of Health e o Centers for
Disease Control and Prevention, órgãos do
governo norte-americano, reviram todos os
trabalhos científicos sobre atividade física e
saúde, e concluíram que todos os tipos de
exercícios parecem ter os mesmos efeitos
benéficos para a saúde geral e do coração. Não
se trata de aumentar a vascularização cardíaca
como já se imaginou, mas de evitar o estresse
emocional, a obesidade, a hipertensão arterial,
o diabetes, e de modificar favoravelmente os
níveis das gorduras do sangue. Todos esses
efeitos são conseguidos também por meio dos
exercícios com pesos. Atualmente o American
College of Sports Medicine reconhece que
qualquer tipo de exercício tem os mesmos efeitos
salutares, ao contrário do que preconizavam as
recomendações da entidade anteriores a 1995, que
enfatizavam a importância de exercícios aeróbios
para a saúde.
Sendo estes
conceitos relativamente recentes, compreende-se
que muitos profissionais não estejam
atualizados. Por outro lado, alguns
profissionais que desenvolveram metodologia de
trabalho apoiada nos conceitos anteriores ainda
relutam em aceitar os novos fatos científicos. A
campanha Agita São Paulo da Secretaria de Saúde
do Estado está em perfeita sintonia com os novos
conhecimentos, recomendando qualquer tipo de
exercício, sem excessos, para melhorar os níveis
de saúde geral e cardiovascular da população.
De acordo com os
conceitos mais atuais, os exercícios com pesos
são considerados os mais completos entre todas
as formas de treinamento físico, embora não
sejam os ideais para aumentar a resistência para
esforços contínuos de baixa intensidade. Por
outro lado aumentam a capacidade de trabalho
físico estimulando a força e a resistência
musculares, a flexibilidade, e a capacidade de
aceleração. Além disto, melhoram a forma do
corpo, evitam a incapacidade física dos
sedentários e idosos, e contribuem para evitar
doenças crônicas tão bem ou melhor do que outros
tipos de atividade física.
Com relação à
segurança, quando bem realizados, os exercícios
com pesos apresentam baixo índice de lesões
músculo-esqueléticas e baixo risco de acidentes
vasculares cerebrais e coronarianos. A
eficiência exige pesos relativamente elevados,
que permitem poucas repetições, mas desde que
não se façam esforços absolutamente máximos, a
pressão arterial aumenta dentro de níveis
seguros. Com os intervalos de descanso entre as
séries sendo relativamente longos, geralmente
acima de um ou dois minutos, a freqüência
cardíaca aumenta muito pouco. Por estas razões,
já se demonstrou que o caminhar rápido pode
apresentar estresse cardiocirculatório maior do
que o treinamento com pesos bem orientado. Além
disto, os exercícios com pesos não apresentam os
fatores predisponentes ao trauma, tão comuns na
maioria das atividades esportivas: impactos,
acelerações, desacelerações, torções, risco de
trauma direto e de quedas. A carga, desde que
não excessiva, não é um fator de lesão. Ao
contrário, apresenta efeitos tróficos,
estimulando o fortalecimento dos tecidos.
Além da
divulgação da segurança e dos benefícios
salutares dos exercícios com pesos, muito
contribui para a sua crescente popularidade o
prazer de realizar uma atividade que produz
agradável sensação de trabalho muscular, sem no
entanto determinar alterações desconfortáveis
das freqüências cardíaca e respiratória.
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