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Hanseníase
1. Hanseníase
O Brasil é o segundo país com maior número de
casos de Hanseníase do mundo, perdendo apenas
para a Índia. Para reverter esta situação, você
precisa saber mais a respeito da doença.
1.1. Definição
Hanseníase é uma doença infecciosa que atinge
principalmente a pele e os nervos (em especial
os da face e extremidades, como braços e mãos;
pernas e pés). Ela é causada por uma bactéria,
chamada Mycobacterium leprae, descoberta em
1873. Esta bactéria é mais conhecida como Bacilo
de Hansen, em homenagem ao seu descobridor, o
cientista norueguês Gehard Amauer Hansen.
Há registros de Hanseníase desde a Antiguidade.
A doença era conhecida como Lepra. As pessoas
infectadas eram discriminadas e obrigadas a
viver fora da sociedade, além de sofrer as
conseqüências da própria doença. Na época sem
cura e sem tratamento, a Lepra causava
deformidades.
Hoje, a situação é muito diferente. Hanseníase
tem cura e, se tratada nos estágios iniciais,
não deixa seqüelas. Além disso, o paciente com
Hanseníase, quando tratado precocemente, pára de
transmitir a doença já nas primeiras doses dos
medicamentos. Por isso mesmo não há mais razão
para estigmas ou exclusão social. De toda forma,
é recomendável evitar o uso do termo Lepra,
devido a sua alta carga de preconceito.
É importante ressaltar que os casos
diagnosticados e tratados tardiamente poderão
apresentar danos neurológicos e sistêmicos (em
todo o corpo) irreversíveis.
1.2. Formas de transmissão
A Hanseníase pode ser transmitida por contato
físico, mas é normalmente propagada pelas vias
aéreas, após contato freqüente com a pessoa
doente. Ou seja, não basta uma conversa ou um
encontro eventual para pegar a doença. É mesmo
necessário convívio íntimo e prolongado com os
doentes. Para você ter uma idéia, uma pessoa é
considerada suspeita de possuir Hanseníase após
um contato mínimo de 5 anos com o indivíduo
doente. Isso geralmente acontece quando o doente
faz parte da família e mora na mesma casa.
Isso mostra que nem todas as pessoas que entram
em contato com o Bacilo de Hansen contraem a
doença. A bactéria penetra com freqüência no
organismo humano, mas é eliminada, já que a
maioria dos indivíduos tem algum grau de
resistência. Com o contato permanente, a
bactéria vence o organismo “pelo cansaço”.
Assim, após ser inalado, alcança a mucosa
respiratória das vias aéreas superiores.
conseguindo penetrar na corrente sanguínea e
disseminando-se na pele e nervos.
1.3. Quando procurar o médico
Procure um Dermatologista ou vá até o Posto de
Saúde mais próximo se você notar nódulos no
corpo ou manchas claras ou avermelhadas em sua
pele, que podem inclusive formar camadas mais
elevadas. Isso não significa que você esteja com
Hanseníase, pois outras doenças de pele têm
características semelhantes. Você só deve
suspeitar de Hanseníase se, além das lesões,
você tenha contato permanente com pessoas
portadoras da doença. De toda forma, é
importante procurar um Dermatologista para o
tratamento adequado das manchas, de acordo com o
diagnóstico.
A Hanseníase também provoca perda de
sensibilidade, uma vez que atinge os nervos
condutores das sensações (lembra do que você
assistiu no episódio Saúde da Pele?). Portanto,
fique atento se as áreas com manchas respondem a
estímulos térmicos, dolorosos e táteis. Ou seja,
verifique se você sente diferença entre frio e
quente, se consegue sentir dor ou mesmo se
percebe o toque de alguém.
É bastante raro, mas existem casos nos quais o
Bacilo de Hansen atinge apenas o nervo. Ou seja,
não há lesões na pele, mas a pessoa tem perda de
sensibilidade, além de formigamento no corpo e
dor nos nervos dos braços, mãos, pernas e pés.
Tendo qualquer um destes sintomas, procure o
médico.
Resumindo, são sintomas freqüentes da
Hanseníase: formigamento, dor nos nervos e perda
de sensibilidade às temperaturas, à dor e aos
estímulos táteis, além das manchas brancas ou
avermelhadas. Dependendo do nervo afetado, há
outros sintomas:perda de visão por lesão da
córnea; paralisia da mão, que fica em forma de
“garra”, alterações no suor; impossibilidade de
flexão do pé (fica “caído”).
1.4. Tipos de Hanseníase
Existem diferentes formas clínicas de
Hanseníase, umas mais graves que outras, que se
desenvolvem de acordo com a resposta do sistema
imunológico de cada pessoa. Você não precisa
decorar os nomes, mas é importante que conheça a
aparência das lesões.
Hanseníase indeterminada: forma mais benigna.
Geralmente, encontra-se apenas uma mancha, de
cor mais clara que a pele normal, com diminuição
da sensibilidade. Mais comum em crianças.

Hanseníase
Paucibacelar: forma também benigna e localizada,
ocorre em pessoas com alta resistência ao
bacilo. Caracteriza-se por poucas manchas ou
apenas uma, avermelhada, levemente elevada (como
uma placa) e com limites bem definidos. Há
ausência de sensibilidade, dor, fraqueza e
atrofia muscular.

Hanseníase
Multibacelar: neste caso o bacilo se multiplica
muito, levando a um quadro mais grave. Há
atrofia muscular, inchaço das pernas e
surgimento de nódulos na pele. Os órgãos
internos também são acometidos pela doença.

1.5. Quadros de piora
Quem possui
Hanseníase pode apresentar situações reacionais:
são quadros clínicos especiais agudos. É uma
piora rápida e espontânea da doença, que pode
causar graves prejuízos se não tratada
imediatamente. Esse quadro pode acontecer
durante o período de tratamento com os
antibióticos. Ou mesmo após o seu término.
É fácil
reconhecer os episódios reacionais.
Caracterizam-se pelo aparecimento súbito de
novas lesões de pele (manchas, placas, nódulos,
feridas), febre, aumento da dor e inchaço nos
nervos e articulações, irritação nos olhos,
dores e alterações nos testículos, inchaço e
vermelhidão nas mãos e nos pés, dores na
barriga.
O paciente com
estes sintomas, e que tem diagnóstico de
Hanseníase, deve procurar imediatamente o médico
ou posto de saúde.
1.6. Diagnóstico da
Hanseníase
Quando você estiver em consulta com um médico ou
agente de saúde, mostre as lesões. Para o
diagnóstico da Hanseníase, é preciso um exame
clínico cuidadoso. O profissional de saúde pode
também solicitar testes complementares, todos
bastante simples. Dentre eles, estão:
- Pesquisa da
sensibilidade térmica, dolorosa e tátil.
- Prova da histamina – feita para verificar se
seus nervos foram atingidos. Será pingada uma
gotinha em sua pele, seguida de uma picada para
punção.
- Prova da pilocarpina – para verificar se há
alteração na inervação das glândulas
sudoríparas. É uma injeção intradérmica (daquela
pequenina, que alcança apenas as camadas
superficiais da pele).
- Baciloscopia – exame para detectar a presença
do Bacilo de Hansen, após análise no
microscópio.
- Biópsia da pele
1.7. Tratamento
da Hanseníase
O tratamento da
Hanseníase inclui uma medicação específica, além
de reabilitação física e psicossocial nos casos
mais graves (estágios mais avançados da doença,
quando há deformidades e, em alguns casos, perda
de membros). O importante é não deixar a
Hanseníase chegar nos estágios em que haja
necessidade de reabilitação. Lembre-se que não
ficam seqüelas quando a Hanseníase é detectada e
tratada precocemente.
Há medicamentos diferentes, utilizados de acordo
com o grau e a forma da doença. Trata-se de um
coquetel de antibióticos, distribuídos
gratuitamente nos postos de saúde. São pílulas
de cores diversas, em cartelas. Todos estes
medicamentos podem ser utilizados por gestantes
e por portadores de HIV.
O tratamento dura de seis meses a dois anos. O
que determina a duração é o estágio e forma da
doença. A pessoa fica curada. Quem começa o
tratamento deixa rapidamente de ser contagioso,
não constituindo mais perigo para as pessoas
próximas. Portanto, não há necessidade de
isolamento social.
Atenção: não interrompa o tratamento! O uso
irregular dos remédios, ou de doses
insuficientes, aumenta a chance do paciente
tornar-se resistente às drogas e aumenta a
chance de progressão da doença para estágios
mais avançados.
1.8. Prevenção da Hanseníase
A Hanseníase é uma doença típica de regiões
pobres, nas quais o baixo nível sócio-econômico
das famílias leva a uma superpopulação
doméstica, facilitando a propagação da bactéria.
Some-se a isto menos condições de higiene e
desnutrição, que tornam o organismo mais
suscetível às doenças. Desta forma, melhorar a
qualidade de vida das populações é uma forma de
prevenir a Hanseníase.
Outra maneira de prevenir a Hanseníase é tratar
rapidamente as pessoas doentes, evitando a
transmissão para outras pessoas da família.
Neste caso, é muito importante as pessoas
estarem informadas sobre a Hanseníase e seu
tratamento, para que procurem rapidamente um
médico ou incentivem seus conhecidos a fazê-lo.
Existe uma vacina que ajuda a proteger contra a
Hanseníase: é a BCG, que faz parte do calendário
de vacinação infantil. Quando uma pessoa na casa
possui Hanseníase, todos os moradores devem
procurar o posto de saúde para exame clínico e
aplicação da vacina.
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