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A) Introdução:
O desenvolvimento
da Anestesiologia tem levado a uma maior
capacitação dos profissionais na avaliação e
tratamento das dores agudas e crônicas. A cada
ano que passa novos conceitos são abordados na
fisiopatologia da dor, como que deixando num
passado distante a Teoria do Portão de Melzack -
Walls (1960). Temos hoje “a marcação dos
receptores sensitivos do córtex cerebral, o
mapeamento da densidade de terminações nervosas
nociceptivas, a marcação de GAP-43 produzido por
cones de crescimento axonal em nervos
periféricos, a monitoração da atividade dos
aferentes primários, a mensuração bioquímica de
neurotransmissores neuromoduladores do corno
dorsal da medula espinhal e substância
somatostatina-like, substância P, leucotrienos,
metaencefalinas, etc que indicam várias
atividades do Sistema Nervoso Periférico e do
Sistema Nervoso Central” (Subhash, M.D. - 1995).
O conceito de neuroplasticidade do Sistema
Nervoso Central, a diferenciação da hiperalgesia
central e periférica, a definição de
hiperalgesia secundária e o papel dos receptores
NMDA no aumento da resposta ao estímulo nocivo
são importantes para a compreensão da interação
das respostas centrais e periféricas na formação
do fenômeno doloroso.
Descobertas tais como a inibição da dor
periférica pelos opióides inibindo a
hiperalgesia induzida pelo AMP-cíclico, pode
hoje justificar o tratamento da dor periférica
com o emprego da injeção de opióide em bloqueios
nervosos periféricos.
O desenvolvimento da Neuropsicologia obriga-nos
à necessidade de conhecermos cada vez mais os
mecanismos neuro-imuno-biológicos envolvidos na
resposta à dor, a atuarmos na regulação do
estado de vigília, na diminuição do stress
metabólico, físico e mental e na regulação do
estado de sono do paciente.
O Anestesiologista tem de familiarizar-se com
avaliações posturais, diagnosticar com precisão
o complexo músculo-esquelético envolvido e
atualizar-se nas abordagens dos meios físicos
que podem minimizar as respostas à dor.
O conhecimento dos recursos terapêuticos
cirúrgicos em vias de dor são necessários para
que se possa fazer um bom planejamento de
tratamento.
B) Planejamento
dos Procedimentos
A escolha do
procedimento clínico, anestésico ou cirúrgico é
definido através de consulta especializada.
1. Consulta:
A avaliação é realizada através de uma história
clínica completa, um exame físico detalhado
visando o aspecto clínico, fisiátrico e
neurológico para determinar precisamente a
etiologia da dor.
Os exames laboratoriais devem ser exclusivos
para definição etiológica e, planejamento do
tratamento.
A coordenação do programa de tratamento,
prevendo as expectativas do paciente, à
reintegração ao convívio familiar e social, à
reabilitação física para atividades domiciliares
e à readequação para a vida laborativa tem
grandes chances para o sucesso.
O tratamento de Clínica de Dor deve ser
multiprofissional, sendo necessário muitas vezes
a interconsulta de um clínico responsável pelo
acompanhamento da doença de base (por exemplo,
Neuropatia diabética, pelo endocrinologista,
Câncer pelo oncologista, etc.), de um Fisiatra
para programação da reabilitação física
coordenada, e por um Psiquiatra, quando
necessária a intervenção.
Devido a isto, defendo que a consulta de Dor
Crônica deva ser consideradacomo uma avaliação
especializada com duração de 40 a 60 minutos.
As avaliações subsequentes podem ser feitas após
30, 60 e 90 dias, respectivamente dependendo de
cada caso.
A duração do tratamento pode ser de 30, 90 ou
até 150 dias ( de um a cinco meses), variando
conforme o diagnóstico.
Seguramente todos os pacientes terão que ser
acompanhados, mesmo após o término do tratamento
programado.
A alta será dada quando houver controle estável
da dor ou desaparecimento da mesma e sempre em
consenso com os facultativos que estiverem
envolvidos.
O Anestesiologista pode ser consultado para
avaliação de pacientes internados ou de
procedência ambulatorial e às intervenções podem
ser realizadas durante a internação ou de forma
ambulatorial.
2. Procedimentos Anestésicos/Analgésicos:
Na literatura internacional eles são separados
por diagnóstico sindrômico etiológico de dor,
baseado em pesquisa nos “Anual Refresher Courses
Lectures - 1991/1992/1994/1995/1996”.
A) Dor Lombar e Região Cervical
No tratamento destas afecções incluem-se a
corticoterapia epidural, os bloqueios seletivos
de raízes nervosas, os bloqueios facetários, as
injeções trigger e as injeções disck(disco
intervertebral).
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Injeções de esteróides epidurais: Para dores de irritação nervosa, com
distribuição radicular para o braço ou perna,
tais como: radiculite discogênica, estenose de
canal medular e fibrose pós-laminectomia. Mesmo
que a Ressonância Nuclear Magnética seja
negativa para a compressão radicular, não está
contra-indicado o uso de esteróide epidural
quando os achados clínicos forem positivos, pois
pode haver extravazamento de fosfolipase A2 e
outras enzimas do núcleo pulposo produzindo
irritação química da raiz sem outros sinais de
compressão mecânica (Carol S. Warfield,M.D. -
1996). O número de injeções podem chegar a três com
intervalos de duas semanas, geralmente não sendo
necessárias mais de três injeções no período de
seis meses, ainda segundo Warfield. Um recente
artigo de Rocco e colaboradores apresentou como
benéfico o uso de morfina sozinha ou em
combinação com triancinolona para pacientes com
Síndrome pós-laminectomia.
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Bloqueio seletivo da raiz nervosa:
É realizado no local com esteróides epidurais e
uso de fluoroscopia para tratamento da
radiculite (Carol/ Warfield,M.D., 1996).
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Bloqueio facetário:
É usado em Síndrome facetária devido à
subluxação dos elementos posteriores da coluna
causada por doença degenerativa do disco, usando
anestésico local e corticóide. A freqüência
deverá ser de três bloqueios no período de seis
meses. Utiliza-se fluoroscopia.
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Injeções trigger:
É usado para a Síndrome miofascial, podendo
usar, ocasionalmente, corticóides. Também podem
ser usados agentes neurolíticos. |
B) Síndrome Dolorosa do Complexo Regional (ou
Dor de Manutenção Simpática)
Ela pode ser dividida como:
Tipo 1 - Distrofia Simpático- Reflexa: quando a
dor é em queimor, em distribuição não
dermatomérica, com presença de edema e
alterações autonômicas após lesões (fraturas,
lacerações, entorses/estiramento, tendinites
crônicas, infecções e incisões cirúrgicas), além
de hiperestesia. Muitas vezes não há evidência
de injúria nervosa.
Tipo 2 - Causalgia: quando apresenta a mesma
sintomatologia do Tipo 1, porém há evidência de
injúria nervosa (alterações denervativas)
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Bloqueio do Simpático Cérvico Torácico (
B.S.C.T.): São usados de forma seriada para interrupção da
atividade reflexa patológica. A freqüência pode
ser em número de dez.
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Bloqueio do Simpático Lombar a nível de L2, L3 e
L4: É usado para dores de manutenção simpática da
extremidade inferior. A freqüência é de 3 a 5
bloqueios com intervalos de 2 a 3 dias.
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Bloqueio Regional Intravenoso (BIER):
É usado para bloqueio agonista alfa 2
adrenérgico. É feito de forma seriada semelhante
ao B.S.C.T.. É usado para interrupção da
atividade reflexa patológica. |
C) Dor Neuropática
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Neuralgia Pós -Herpética: Bloqueios do Simpático para Herpes agudo parecem
melhorar as lesões nervosas teciduais devido à
vasodilatação local, evitando assim neuralgia
pós-herpética. Bloqueios intercostais para neralgia pós
herpética
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Neuralgia pós traumática ou por lesão nervosa:
Bloqueios do Sistema Nervoso Simpático podem ser
indicados.
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Neuropatias Periféricas:
A utilização de xilocaína E.V pode ser útil. |
D) Dor Oncológica
Bloqueio de nervo periférico
Bloqueios Neurolíticos
Opiáceo + esteróide intratecal
Bloqueio do Plexo Celíaco
Neurólise intratecal ou epidural para dores
localizadas em tronco
Bloqueio do Plexo Hipogástrico para dores
viscerais pélvicas.
3. Resumo:
Nas respostas fisiopatológicas do fenômeno
doloroso temos alterações periféricas ocorrendo
simultaneamente com as alterações do Sistema
Nervoso Infra e Supra Tentorial. Na prática
observamos que o tratamento deverá ser efetuado
para eliminar o fator causal e que as
conseqüências do estímulo nociceptivo devem ser
tratadas tanto as periféricas quanto as
centrais, se possível de forma simultânea. Como
por exemplo na Radiculopatia Osteogênica deve-se
tratar o Sistema Nervoso com injeções epidurais
anti-inflamatórias, simultaneamente com
bloqueios de nervos periféricos e “trigger” para
as alterações miofasciais, além de medidas
fisioterápicas e de relaxamento psíquico.
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