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Sem dúvida, a doença mais freqüente é a
inflamação. Durante os episódios de poluição,
quando a CETESB avisa que o ar está ruim, muitas
pessoas sentem ardência nos olhos, nariz,
garganta, traquéia e, por vezes, tossem. A
inflamação nada mais é do que uma das formas com
que os tecidos reagem perante irritantes
químicos, físicos ou microrganismos. Nestas
áreas do corpo haverá maior produção de lágrima
ou muco e os tecidos ficam vermelhos. Trata-se
de um incômodo maior ou menor, porém que depois
de algumas horas cessa espontaneamente.
Não há muito que fazer:
um colírio para lavar o
olho e uma pastilha para a garganta trazem
alívio embora não sejam realmente necessários.
Estas manifestações são as conjuntivites
(conjuntiva do olho), rinites (nariz),
faringites, traqueites, bronquites e alveolites
(alvéolos pulmonares). Enquanto, agudas e
passageiras, as inflamações não são alterações
preocupantes, entretanto, se crônicas
transformam-se em doenças que podem complicar,
como veremos a seguir.
OS POLUENTES que causam inflamação são muitos,
os mais imortantes são : óxidos de nitrogênio,
dióxido de enxofre, hidrocarbonetos, aldeídos,
material particulado e oxidantes fotoquímicos
(por exemplo, ozônio).
Se os problemas de saúde parassem por aí, seria
muito bom. Entretanto, as sucessivas reações
inflamatórias acabam provocando infecções. Os
tecidos aguda e, sobretudo, crônicamente
inflamados perdem suas capacidades de defesa
contra os microrganismos que estão presentes no
próprio organismo e no ar que respiramos. O
equilíbrio entre o organismo e estes agentes é
mantido por meio de engenhosos sistemas de
proteção que garantem a saúde, porém, quando
minados por inflamações crônicas, os
microrganismos instalam-se nos tecidos,
proliferam e causam uma infecção. Assim, as
faringites, rinites e bronquites, por exemplo,
ficam inflamações infectadas. A mais temível das
infecções é a pneumonia, quando as bactérias
atacam os pulmões, que é uma doença grave que
necessita de socorro médico.
Em crianças e
idosos, as pneumonias podem levar a morte.
A poluição atmosférica das cidades causa câncer? Certamente, alguns poluentes são cancerígenos,
principalmente os hidrocarbonetos policíclico
aromáticos. A concentração desta substância ou
de qualquer outro poluente no ar de São Paulo
não é suficiente para causar câncer por si só.
Contudo, junto com outros cancerígenos, o
cigarro por exemplo, aumentam a incidência do
câncer pulmonar que, geralmente, não tem cura. O
problema da incidência de neoplasias (câncer)
induzidas pela poluição atmosférica de São Paulo
precisa ser vigiado porque, repetimos, existem
vários poluentes cancerígenos.
É preciso entender a ação do monóxido de carbono
(CO), que muitas vezes é o responsável pela má
qualidade do ar. Essencialmente, trata-se de uma
substância que prejudica a oxigenação dos
tecidos e, por isso, é classificado como um
asfixiante sistêmico. A substância que carrega
oxigênio aos tecidos é a hemoglobina que está
dentro dos glóbulos vermelhos do sangue (também
chamados de hemácias ou eritrócitos). Ao nível
dos capilares pulmonares, a hemoglobina recebe
oxigênio do ar que está nos alvéolos e, depois,
continua pelos vasos sangüíneos para levar este
elemento vital a todos os tecidos. Lá ele troca
o oxigênio por dióxido de carbono que transporta
até aos pulmões para liberá-lo no ar alveolar e
carregar-se, novamente, com oxigênio.

O perigo do CO reside no fato de que impede a
oxigenação dos tecidos, que é um fenômeno
biológico complexo e suas manifestações clínicas
são complicadas. Todos os órgãos necessitam de
oxigênio, principalmente o sistema nervoso
central. Portanto, casos graves de intoxicação
por CO, que jamais ocorrem ao ar livre mas
apenas em ambientes fechados (garagens, túneis
longos e mal ventilados), provocam confusão
mental, inconsciência, parada das funções
cerebrais e morte. No caso das poluições
atmosféricas de São Paulo, a inalação crônica de
CO não é perceptível. No entanto, sabe-se que
pode agravar ateroscleroses, principalmente do
coração, sobretudo em fumantes.
É importante saber que nas intoxicações agudas
ou crônicas, se a vítima não mais respirar CO,
após vários dias restabelece-se o ciclo normal
da oxigenação celular. A absoluta maioria dos
pacientes tem recuperação completa e sem
seqüelas, se definitivamente afastados da
poluição por CO.
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