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1996 |
"Paulistano, o ar que você respira é um dos
piores de todas as grandes cidades que há no
mundo. Que é ruim, todos que por aqui moram ou
passam, sentem; que ocupa um lugar tão destacado
entre as poluições urbanas da terra, é consenso
dos especialistas. Conscientize-se e entre na
luta!"
György Miklós Böhm (1º de janeiro de 1989)
O que é que um
paulistano deve saber de poluição?
A resposta é que o mais possível e, para
começar, aqui temos algumas informações.
Em São Paulo a poluição atmosférica é provocada,
basicamente, por duas fontes
1) as estacionárias, que podemos exemplificar
com as chaminés das fábricas, a queima de óleo crú nas indústrias e os incineradores
domésticos;
2) fontes móveis que são os diversos meios de
transporte, dos quais os caminhões, ônibus e
automóveis são de longe os mais significativos.
Ao contrário das metrópoles situadas em regiões
frias, onde a população é obrigada a aquecer
seus lares e, portanto, a poluição por fontes
estacionárias é a mais importante, nos grandes
centros urbanos tropicais e subtropicais, mesmo
naqueles muito industrializados como São Paulo,
as fontes móveis são as mais responsáveis pela
poluição. Poderão exisitir variações
localizadas, pois a poluição do ar em uma cidade
apresenta desigualdades, é em mosaico: alguns
bairros são mais salubres, outros menos, há
aqueles que têm grandes fábricas aonde poderão
dominar as fontes estacionárias etc..., contudo
a poluição geral, aquele manto marrom que cobre
a cidade é causado pelas fontes móveis. |
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Quem morar na proximidade de uma indústria
poderá sofrer por uma variedade muito grande de
tóxicos. Cada fonte geradora tem as suas
peculiariedades e é difícil de abordar todas
elas.
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Inversão Térmica
São nos meses de inverno que estes relógios
mostram os piores resultados, isto porque é
nesta época do ano que ocorrem os episódios de
inversão térmica em São Paulo. |
A Poluição Atmosférica Provoca Doenças?
Sim, a poluição atmosférica provoca doenças em
milhões de pessoas (na terra toda provavelmente
a 2 bilhões) e causa um prejuízo econômico
gigantesco ao mercado de trabalho. Entretanto,
não aparece nas estatísticas porque poucas vezes
é pego em flagrante.E' um criminoso extremamente
hábil: deixa pistas sutís que só o melhor dos
detectives consegue detectar. Ela ataca as
pessoas mais frágeis, crianças, idosos e doentes
com problemas pulmonares e cardíacos, que podem
até morrer em conseqüência de doenças agravadas
pela poluição. Nem o estetoscópio, nem o bisturi
e nem mesmo os instrumentos de autópsia
conseguem flagrar a poluição.
Somente um estudo específico, com pessoas muito
bem treinadas para esse fim, permite
correlacionar os níveis de poluição com a
incidência das doenças e com as
curvas de
mortalidade e, assim, apontar a mão que deu o
golpe de misericórdia no doente. Por enquanto,
no Brasil, são as cardiopatias e as pneumopatias
que aparecem nos atestados de óbito. Em outros
países a poluição aparece nos documentos
médicos. No pior desastre ocorrido em Londres na
década dos 50, em torno de 4.000 pessoas
morreram em conseqüência da péssima qualidade do
ar. Tratava-se de uma população vulnerável à
poluição, como explicado anteriormente.
Consciência da Poluição
Eis uma questão chave. A pressão das
preocupações e necessidades cotidianas
dificulta, quase que tolhe a visão dos problemas
que não são imediatos. O cidadão já se dá por
satisfeito ao resolver as questões do momento, e
ações que visam um futuro melhor perdem qualquer
prioridade. Os temores que as alterações do
meio-ambiente possam despertar são vagos e
longínquos, e não provocam iniciativas como
aquelas exigidas pelas urgências de cada dia.
Por isso, é difícil criar uma consciência
ecológica na sociedade.
É inútil não gostar do ar que estamos respirando
e ter uma noção de que prejudica a saúde, sem
tomar uma atitude, que deve ser coletiva. Aí
está a cerne da questão: resignação ou
indiferença da sociedade ? Porque é que a
população aceita esse estado de coisas ? Porque
VOCÊ não reclama ? Não sabemos. Contudo, podemos
ajudar colocando ao seu dispor
conhecimentos
adquiridos durante anos de trabalho. |