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Poluição Atmosférica Poluição do ar em São Paulo

Prof. Dr. György Miklós Böhm

Ilustração: São Paulo em 1554
1554
São Paulo
Foto: São Paulo em 1996
1996

"Paulistano, o ar que você respira é um dos piores de todas as grandes cidades que há no mundo. Que é ruim, todos que por aqui moram ou passam, sentem; que ocupa um lugar tão destacado entre as poluições urbanas da terra, é consenso dos especialistas. Conscientize-se e entre na luta!"

György Miklós Böhm (1º de janeiro de 1989)

O que é que um paulistano deve saber de poluição?
A resposta é que o mais possível e, para começar, aqui temos algumas informações.


Em São Paulo a poluição atmosférica é provocada, basicamente, por duas fontes

1) as estacionárias, que podemos exemplificar com as chaminés das fábricas, a queima de óleo crú nas indústrias e os incineradores domésticos;

2) fontes móveis que são os diversos meios de transporte, dos quais os caminhões, ônibus e automóveis são de longe os mais significativos.

Ao contrário das metrópoles situadas em regiões frias, onde a população é obrigada a aquecer seus lares e, portanto, a poluição por fontes estacionárias é a mais importante, nos grandes centros urbanos tropicais e subtropicais, mesmo naqueles muito industrializados como São Paulo, as fontes móveis são as mais responsáveis pela poluição. Poderão exisitir variações localizadas, pois a poluição do ar em uma cidade apresenta desigualdades, é em mosaico: alguns bairros são mais salubres, outros menos, há aqueles que têm grandes fábricas aonde poderão dominar as fontes estacionárias etc..., contudo a poluição geral, aquele manto marrom que cobre a cidade é causado pelas fontes móveis.

Quem morar na proximidade de uma indústria poderá sofrer por uma variedade muito grande de tóxicos. Cada fonte geradora tem as suas peculiariedades e é difícil de abordar todas elas.

O que mais interessa são os problemas trazidos pelos gases de escapamento de aproximadamente cinco milhões de veículos, que circulam pelas ruas da cidade.

Espalhados pela cidade, temos grandes mostradores que indicam a qualidade do ar em diversos bairros:

bullet Boa
bullet Aceitável
bullet Inadequada
bullet Ruim
bullet Péssima
bullet Crítica

Inversão Térmica

São nos meses de inverno que estes relógios mostram os piores resultados, isto porque é nesta época do ano que ocorrem os episódios de inversão térmica em São Paulo.

A Poluição Atmosférica Provoca Doenças?

Sim, a poluição atmosférica provoca doenças em milhões de pessoas (na terra toda provavelmente a 2 bilhões) e causa um prejuízo econômico gigantesco ao mercado de trabalho. Entretanto, não aparece nas estatísticas porque poucas vezes é pego em flagrante.E' um criminoso extremamente hábil: deixa pistas sutís que só o melhor dos detectives consegue detectar. Ela ataca as pessoas mais frágeis, crianças, idosos e doentes com problemas pulmonares e cardíacos, que podem até morrer em conseqüência de doenças agravadas pela poluição. Nem o estetoscópio, nem o bisturi e nem mesmo os instrumentos de autópsia conseguem flagrar a poluição.

Somente um estudo específico, com pessoas muito bem treinadas para esse fim, permite correlacionar os níveis de poluição com a incidência das doenças e com as curvas de mortalidade e, assim, apontar a mão que deu o golpe de misericórdia no doente. Por enquanto, no Brasil, são as cardiopatias e as pneumopatias que aparecem nos atestados de óbito. Em outros países a poluição aparece nos documentos médicos. No pior desastre ocorrido em Londres na década dos 50, em torno de 4.000 pessoas morreram em conseqüência da péssima qualidade do ar. Tratava-se de uma população vulnerável à poluição, como explicado anteriormente.

Uma coisa parece garantida: a população inteira da região metropolitana de São Paulo sofre os efeitos e apresenta alguma vez doenças próprias da poluição atmosférica.

Consciência da Poluição

Eis uma questão chave. A pressão das preocupações e necessidades cotidianas dificulta, quase que tolhe a visão dos problemas que não são imediatos. O cidadão já se dá por satisfeito ao resolver as questões do momento, e ações que visam um futuro melhor perdem qualquer prioridade. Os temores que as alterações do meio-ambiente possam despertar são vagos e longínquos, e não provocam iniciativas como aquelas exigidas pelas urgências de cada dia. Por isso, é difícil criar uma consciência ecológica na sociedade.

É inútil não gostar do ar que estamos respirando e ter uma noção de que prejudica a saúde, sem tomar uma atitude, que deve ser coletiva. Aí está a cerne da questão: resignação ou indiferença da sociedade ? Porque é que a população aceita esse estado de coisas ? Porque VOCÊ não reclama ? Não sabemos. Contudo, podemos ajudar colocando ao seu dispor conhecimentos adquiridos durante anos de trabalho.

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