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A partir de 1991
e 1992 o "Advisory Committee on Immunization
Practices" do "Centers for Disease Control (CDC)"e
o "Committee on Infectious Diseases"da Academia
Americana de Pediatria passaram a recomendar a
vacinação para crianças e adolescentes contra a
hepatite B. Sabe-se atualmente que a única
maneira prática de interromper a transmissão do
vírus da hepatite B (HBV) consiste na vacinação
de todos os indivíduos antes da exposição ao
vírus, o que coloca a população infantil como o
alvo principal desta estratégia.
INFECÇÃO PELO VÍRUS DA HEPATITE B
ADQUIRIDA
As conseqüências da infecção pelo HBV são
variadas:
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doença aguda com icterícia seguida por cura;
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doença aguda com icterícia podendo evoluir para
hepatite crônica, cirrose hepática e
hepatocarcinoma; |
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infecção subclínica seguida por recuperação;
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infecção subclínica podendo evoluir para
hepatite crônica, cirrose hepática e
hepatocarcinoma; |
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hepatite fulminante;
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Em porcentagens:
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Infecções assintomática - 50%
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Infecções assintomáticas seguidas por cura - 45%
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Doença hepática crônica - 5% - 10% |
PERINATAL
A hepatite B perinatal pode ocorrer quando a
gestante é portadora do vírus da hepatite B (AgHBs
positivo) e as crianças se tornarem portadoras
crônicas do vírus.
Cerca de 5% das infecções são intra-uterinas e
não podem ser prevenidas e as restantes 95%
ocorrem no período neonatal sendo a
imunoprofilaxia muito eficaz.
Filhos e mães AgHBs e AgHBe positivas apresentam
risco superior de 90% de adquirirem infecção
crônica se não receberem imunoprofilaxia.
EPIDEMOLOGIA
A hepatite B tem distribuição universal. Existem
cerca de 350 milhões de portadores no mundo, com
maior prevalência em países subdesenvolvidos.
Em áreas de baixa prevalência, a transmissão do
HBV pode ser percutânea, sexual ou transfusional.
Em áreas de alta prevalência, outros modos de
transmissão também são descritos: perinatal,
percutânea inaparente, sendo que a maioria da
infecções ocorrem em crianças.
O "Centers for Disease Control"(CDC) sugere a
ocorrência de aproximadamente 200.000 casos
novos de hepatite B por ano nos Estados Unidos.
Destes, 50.000 tem doenças sintomática com
icterícia. Estima-se que cerca de 4.000 óbitos
por ano devido a cirrose e 800 óbitos devidos a
carcinoma hepatocelular estejam relacionados a
hepatite B.
IMUNIZAÇÃO PASSIVA
Indica-se a imunoglobulina hiperimune da
hepatite B (HBIG), que contém altos títulos de
anti-HBs. A gamaglobulina humana não é
considerada adequada, sendo recomendada para
profilaxia da hepatite B apenas quando a HBIG
não estiver disponível.
As recomendações da HBIG incluem:
- Contacto acidental percutâneo ou mucoso com
sangue AgHBs positivo.
- Contato sexual com pessoas AgHBs positiva.
- Criança nascida de mãe AgHBs positiva.
Estes grupos são considerados de alto risco e
devem receber a HBIG e a vacina entre 7 a 14
dias após o contacto.
As doses recomendadas de HBIG são:
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Contacto sexual ou picada acidental por agulha -
0,06ml/kg intramuscular, com dose máxima de 5ml. |
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Contacto perinatal - 0,5 ml intramuscular |
PREVENÇÃO DA HEPATITE B PARA CRIANÇAS NASCIDAS
DE MÃES AgHBs POSITIVAS DENTRO DO ESQUEMA
HABITUAL DE VACINAÇÃO
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IDADE (meses) |
PREVENÇÃO DA HEPATITE B |
PESQUISA DE MARCADORES DO VÍRUS B |
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Nascimento |
HBIG*
Vacina HB |
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| 1 -
2 meses |
Vacina HB |
|
| 4
meses |
|
|
| 6
meses |
Vacina HB |
teste AgHBs** |
| 12 -
15 meses |
|
teste AgHBs**, anti-HBs*** |
* 0,5 ml nas primeiras 12h após o nascimento
** Opcional, se positivo, indica infecção (e,
portanto, falha na imunização) e a terceira dose
da vacina não é necessária
*** Indica sucesso na imunização
IMUNIZAÇÃO ATIVA
Tipos de vacinas
As vacinas atualmente disponíveis e licenciadas
consistem predominantemente de partículas
purificadas do antígeno S que podem ser obtidas
de:
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AgHBs proveniente do plasma de portadores
crônicos (vacinas derivadas do plasma) |
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De organismo recombinantes (fungos) que produzem
AgHBs. Vários laboratórios desenvolveram esta
vacina. Assim, na Bélgica o laboratório
Smith-Kline Beecham produziu a Engerix HBR; nos
Estados Unidos o laboratório Merck Sharp & Dohme
produziu a Recombivax HBR, |
 |
De células recombinantes (células de mamíferos)
que produzem AgHBs. |
Independente da forma de produção, todas as
vacinas são consideradas efetivas.
INDICAÇÕES
A recomendação inicial de vacinar apenas os
grupos de risco não reduz a incidência da
infecção pelo vírus B nos Estados Unidos. Isto
porque a maioria das pessoas infectadas pelo
vírus da Hepatite B não haviam sido vacinadas,
ou por não apresentarem fatores de risco
identificáveis ou ainda porque não tinham acesso
a programas de vacinação.
Atualmente a recomendação é de vacinar todos os
indivíduos antes da exposição o que significa
vacinar todas as crianças e adolescentes e todos
os seguintes grupos de risco:
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Pessoas que trabalham em área de saúde;
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Pacientes em hemodiálise;
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Pacientes hemofílicos;
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Pessoas que fazem uso de drogas injetáveis;
|
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Homossexuais ou bissexuais com múltiplos
parceiros;
|
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Heterossexuais masculinos ou femininos com
múltiplos parceiros;
|
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Indivíduos institucionalizados;
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Contratantes domiciliares ou parceiros sexuais
de indivíduos AgHBs positivos, incluindo
contactantes familiares de crianças adotivas
AgHBs positivas; |
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Viajantes para áreas endêmicas.
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Recomenda-se ainda vacinar os seguintes grupos
pós-contato, em conjunto com a administração de
HBIG:
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Recém-nascidos de mãe AgHBs positivas; |
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Contacto percutâneo ou mucoso acidental com
sangue AgHBs positivo; |
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Contacto sexual com parceiro AgHBs positivo (HBIG
isoladamente pode ser efetiva se administrada
até duas semanas após o contacto). |
ADMINISTRAÇÃO
Administra-se por via intramuscular em face
anterior da coxa ou deltóide. Não se recomenda a
administração em região glútea.
ESQUEMAS
Atualmente tem-se recomendado o uso de vacinas
recombinantes que habitualmente prevêem três
doses administradas em 0,1 e 6 meses.
Estudo recente sugere a administração das três
doses com intervalos de 2 meses entre elas (Pediatr.Infect.Dis.1996).
Com este esquema, as vacinas recombinantes,
disponíveis em nosso meio, a Engerix BR e
Recombivax HBR, mostram-se seguras e
imunogênicas quando administradas
concomitantemente com as outras vacinas
habituais aos 2, 4 e 6 meses de idade.
DOSES
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DOSES RECOMENDADAS |
ENGERIX BR
Dose (ug). .(ml) |
RECOMBIVAX HBR
Dose (ug) . . . . (ml) |
| Filhos de mães AgHBs positivas: prevenção de
infecção perinatal |
10,0 . . . . . 0,5 |
5,0 . . . . . . . . . . 0,5 |
| Filhos de mães AgHBs negativas e crianças com
menos de 11 anos de idade |
10,0 . . . . . 0,5 |
2,5 . . . . . . . . .. .0,25 |
| Crianças e adolescentes entre 11 a 19 anos |
20,0**. . . . 1,0 |
5,0 . . . . . . . . . . . 0,5 |
| Adultos > 20 anos |
20,0 . . . . . .1,0 |
10,0 . . . . . . . . . . .1,0 |
| Pacientes em diálise ou imunodeprimidos |
40,0 . . . . . 2,0* |
40,0 . . . . . . . . . . .1,0 |
Apresentação comercial - Engerix B frascos de
1ml com 20 microgramas
Recombivax HB: frascos pediátricos de 1 ml co 5
microgramas
* Aplicar dois frascos de 1 ml cada. Utilizar 4
doses: 0, 1, 2 e 6 meses.
** Alguns trabalhos (Vaccine, 1995) sugerem que
doses de 10 ug são efetivas para crianças e
adolescentes até 19 anos de idade, não havendo
necessidade da utilização das doses de adultos -
20 ug a partir dos 11 anos de idade, conforme
preconização atual.
CONSERVAÇÃO
A potência das vacinas pode ser diminuída ou
destruída pelo frio. Recomenda-se estocá-la em
geladeiras, em temperatura entre 2 e 8o C.
EFICÁCIA
A eficácia da vacina é de 95% a 99% em
indivíduos imunocompetentes. A proteção persiste
mesmo quando os níveis de anticorpos forem
baixos ou indetectáveis. Por esta razão, a
necessidade de doses de reforço (booster) não
está clara e, até o momento, não são
recomendadas nos Estados Unidos.
EFEITOS COLATERAIS
São considerados desprezíveis.
A queixa mais comum é dor transitória no local
da injeção. Os demais efeitos referidos, febre,
náuseas, vômitos e cefaléia não se mostraram
diferentes dos observados em grupos controle.
Anafilaxia é muito rara e síndrome de
Guillain-Barré foi observada excepcionalmente
com as vacinas plasmaderivadas e não com as
recombinantes.
CONTRA-INDICAÇÕES
Imunossupressão não é contra-indicação, o mesmo
ocorrendo com gravidez em mulheres com alto
risco de adquirirem hepatite B, isto porque a
vacina é constituída por partículas AgHBs não
infecciosas, parecendo ter risco desprezível
para o feto, apesar de não se disporem de dados
sobre a segurança da vacina para o feto em
desenvolvimento. Por outro lado, os riscos da
infecção para o feto e para a mãe são bem
conhecidos e indesejáveis
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Publicado em:
20.04.19988 |
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