EXERCÍCIOS RESISTIDOS NO CONDICIONAMENTO
FÍSICO CARDIOVASCULAR
Dr. José Maria Santarem
Doutor em Medicina, Fisiatra e Reumatologista.
Coordenador do CECAFI - Centro de Estudos em Ciências da Atividade
Física, da Disciplina de Geriatria da Faculdade de Medicina da
Universidade de São Paulo.
Contato: Rua Teodoro Sampaio 417, 1°
andar, sala 12, Cerqueira César -
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INTRODUÇÃO
Exercício resistido
é a forma mais atual de fazer referencia aos exercícios em que a
contração muscular ocorre contra alguma forma de resistência
graduável. A maneira mais tradicional, prática e econômica de
oferecer resistência graduável a contração muscular é a utilização
de pesos. O equipamento para exercícios resistidos com pesos pode
ser classificado em pesos livres e máquinas ou aparelhos. Os
primeiros são representados pelos halteres longos (barras) e curtos,
e as máquinas podem utilizar pesos na forma de placas guiadas ou
anilhas, que são os pesos circulares normalmente acoplados aos
halteres. A preferência dos atletas que se dedicam à musculação
(prática dos exercícios resistidos) são os pesos livres ou as
maquinas com alavancas e anilhas, devido a maior sensação de
trabalho muscular. Isto se deve a transmissão direta da carga e a
variação adequada da resistência oferecida em cada ponto do curso
dos movimentos, acompanhando a variação da força útil dos músculos.
O treinamento com
pesos é forma tradicional de exercício físico, sendo extensamente
utilizado na preparação de esportistas e atletas. Inicialmente visto
com alguma reserva por técnicos esportivos, que supunham prejuízos
funcionais ou lesões excessivas, o treinamento com pesos foi
gradativamente sendo desmistificado em função de evidências
práticas e científicas. Atualmente é reconhecido como a melhor forma
de exercício para aumentar a força, a potência e a resistência dos
músculos esqueléticos, sem prejuízos para a flexibilidade e para a
coordenação. As evidências de grande segurança e de efeitos
protetores para as articulações, diminuindo a ocorrência de lesões
esportivas, levaram ao consenso da indicação dos exercícios
resistidos para adolescentes esportistas. Algumas modalidades
esportivas utilizam quase que exclusivamente o treinamento com
pesos: levantamento de peso olímpico, levantamento de peso básico ("power
lifting") e culturismo ou fisiculturismo ("body-building").
O
culturismo é por definição uma competição de melhor musculação.
Nas academias o
treinamento com pesos recebe atualmente o nome de musculação, o que
se justifica pela sua eficiência em aumentar a massa muscular e a
aptidão do músculo esquelético. Normalmente a musculação é associada
a exercícios de flexibilidade e a exercícios contínuos, conhecidos
como "aeróbicos", visando um completo aprimoramento da condição
física dos praticantes.
Em tome da segunda
metade do século XX, os exercícios resistidos começaram a ser mais
extensamente utilizados em reabilitação física, devido ao
reconhecimento da importância da aptidão músculo-esquelética para a
qualidade de vida, e a facilidade com que podem ser adaptados para
pessoas com limitações funcionais ou doenças debilitantes.
Inicialmente mais utilizados em reabilitação ortopédica,
gradualmente foram sendo reconhecidos como importantes nas doenças
neurológicas e reumatológicas. Atualmente são extensamente
utilizados em reabilitação geriátrica e cardíaca, com perspectivas
de grande utilidade para reabilitação pulmonar e vascular
periférica.
Basicamente a
proposta dos exercícios resistidos no condicionamento e reabilitação
cardiovascular é estimular as qualidades de aptidão e a saúde
musculoesqueléticas, reduzindo a solicitação cardiovascular nos
esforços da vida diária, e contribuindo para melhorar a qualidade de
vida 24,28.
APTIDÃO FÍSICA NA VIDA DIÁRIA
A compreensão das necessidades de aptidão para que os esforços da
vida diária sejam confortáveis e seguros, permite avaliar a
importância do treinamento resistido em condicionamento e
reabilitação cardiovascular.
As qualidades funcionais de aptidão física como força,
flexibilidade, coordenação, resistência, velocidade, potência, e as
qualidades metabólicas de aptidão (limiar anaeróbio e potencia
aeróbia máxima), são parâmetros estimulados de forma diferente pelas
diversas formas de atividade física. Assim sendo, para alguns
objetivos específicos, alguns tipos de atividade física poderão ser
mais eficientes. O aprimoramento das qualidades de aptidão física
tem evidente importância quando existe o objetivo de realizar
grandes esforços, como no caso da prática esportiva. No entanto, os
esforços da vida diária exigem aptidão em níveis adequados para que
as atividades sejam possíveis e não representem fatores de
desconforto ou risco de lesões músculo-esqueléticas e acidentes
cardiovasculares 21.
O sedentarismo e a hipocinesia induzida por doenças levam a uma
redução gradativa e às vezes acentuada das qualidades de aptidão
física, podendo comprometer seriamente a capacidade de realizar
atividades diárias, dificultando a locomoção, aumentando os riscos
de quedas e criando situações de risco cardiovascular nos esforços
habituais. As qualidades de aptidão física que mais comprometem a
qualidade de vida, quando reduzidas, são força e flexibilidade
14,15,16.
Flexibilidade é a capacidade de realizar movimentos amplos nas
articulações. O sedentarismo e as doenças que cursam com dor
articular tendem a reduzir progressivamente a flexibilidade das
articulações, em função da pouca atividade. A redução da
flexibilidade pode dificultar a realização de movimentos ou até
mesmo impossibilitá-los 14,15,16.
Força muscular pode ser adequadamente definida como a capacidade de
gerar tensão. A importância da força muscular na qualidade de vida é
grande e envolve mecanismos fisiológicos apenas há pouco tempo
compreendidos. Do ponto de vista biomecânico, a força muscular é
fundamental para a realização dos movimentos 14,15,16. Tomando como
exemplo a ação de levantar-se de uma cadeira, sabe-se que uma pessoa
idosa pode apresentar extrema dificuldade ou mesmo ser incapaz de
realizar a atividade. A realização dos movimentos necessários para a
vida diária depende de graus relativamente elevados de força
muscular, o que não é percebido pelas pessoas mais jovens porque a
força necessária esta disponível. Particularmente o trabalho braçal,
profissional ou domestico, é muito de pendente da força muscular.
As capacidades de manutenção da postura e do equilíbrio dependem
diretamente da força muscular e da adequada coordenação dos
movimentos. A capacidade de manter o equilíbrio do corpo é
importante para diminuir o risco de quedas. A redução da força
muscular parece ser o principal responsável pelo aumento da
incidência de quedas em pessoas idosas, tendo importância secundaria
a redução dos reflexos posturais. Mesmo com reflexos presentes, a
queda pode ser inevitável se os efetores finais que são os músculos
esqueléticos estiverem fracos. A capacidade de locomoção pode ser
seriamente afetada pela redução da força muscular. Para a que a
marcha seja possível, confortável e segura, força muscular é a
aptidão mais importante 2. A capacidade de aceleração dos passos
para uma maior velocidade da marcha é uma forma de potência e também
depende da força muscular.
Resistência ou "endurance" é a capacidade de prolongar esforços.
Para prolongar esforços suaves como caminhar, a força muscular é
fundamental porque garante valores adequados de limiar anaeróbio
2 . O limiar anaeróbio é a intensidade de esforço
acima da qual a produção energética não pode ser mantida apenas pela
via metabólica aeróbia. Sempre que as fibras musculares
individualmente apresentam discretos graus de força, a tensão
necessária para o movimento é conseguida com o recrutamento de maior
número de fibras. Pessoas fortes caminham com ativação de poucas
unidades motoras, enquanto que pessoas fracas utilizam muitas fibras
para a marcha. Quando muitas fibras musculares são ativadas, a
produção energética não pode ser realizada exclusivamente pela via
metabólica aeróbia porque a contração das fibras leva à oclusão
parcial de vasos intramusculares e assim algumas fibras não recebem
sangue e oxigênio. Muitos idosos debilitados caminham
anaerobiamente, com desconforto por acidose metabó1ica e conseqüente
fadiga precoce. O quadro clinico é o de claudicação intermitente,
com o repouso permitindo continuar a marcha por mais algum tempo.
Pessoas debilitadas têm limiar anaeróbio baixo porque pequenas
intensidades de esforço já recrutam muitas fibras musculares. O
aumento da força muscular é a intervenção terapêutica indicada
2,14,24,28.
A resistência para o trabalho braçal intenso depende basicamente da
força e da chamada resistência muscular localizada (RML), que é a
capacidade do músculo esquelético produzir a energia necessária para
manter tensões elevadas.
Aspecto ainda pouco divulgado é que a força muscular também é
importante para diminuir o risco de acidentes cardiovasculares nos
esforços da vida diária 1,4,9,11. Isto ocorre porque as pessoas mais
fortes realizam as atividades com menor número de fibras musculares,
comparativamente com pessoas mais debilitadas. A utilização de menor
número de unidades motoras ativa menos os ergoceptores musculares,
que são terminações nervosas livres dispersas entre as fibras. A
ativação dos ergoceptores desencadeia, por mecanismos reflexos, o
aumento da freqüência cardíaca e da pressão arterial, alem do
aumento da freqüência respiratória. Assim sendo, pessoas mais fortes
realizam tarefas com menores alterações hemodinâmicas do que pessoas
debilitadas, apresentando nos esforços menores valores de
duplo-produto (Freqüência Cardíaca x Pressão Arterial SistóIica).
Portanto, as pessoas com músculos mais fortes realizam esforços com
menores riscos cardiovasculares e com maior conforto respiratório.
Esta é a base da aplicação crescente dos exercícios resistidos em
pacientes coronarianos e com insuficiência cardíaca 9,14,24,26,28.
Para prolongar atividades como correr, pedalar e nadar, de forma
intensa, são necessários níveis adequados de força muscular
(produção de tensão elevada e limiar anaeróbio alto), de resistência
muscular localizada e de potência aeróbia máxima. A potencia aeróbia
máxima, medida pelo V02 máximo (máximo volume de oxigênio que o
organismo consegue captar e utilizar metabolicamente na unidade de
tempo), é um parâmetro metabólico de aptidão que permite prolongar
atividades com produção energética relativamente elevada. O V02
máximo não é utilizado nas atividades da vida diária, e somente pode
ser aferido diretamente com testes que implicam em esforços
contínuos de intensidade máxima. O V02 máximo é uma variável
diretamente associada com níveis de saúde, mas a relação não é de
causa e efeito. As pessoas com níveis elevados de atividade física
do tipo contínua tendem a apresentar bons indicadores de saúde e V02
máximo elevado. Pessoas com outros tipos de atividade física
costumam ter bons indicadores de saúde, mas com menores níveis de
V02 máximo. No caso das pessoas idosas com limitações patológicas ou
de aptidão que impedem exercícios contínuos, mesmo que suaves, não
deve haver preocupação com os níveis de V02 máximo, desde que outras
atividades físicas estejam sendo realizadas. O limiar anaeróbio,
diretamente proporcional a força muscular, é o parâmetro metabólico
de aptidão física que melhor se correlaciona com qualidade de vida
1,4,9,11. Valores elevados de V02 máximo somente têm importância
para a realização de esforços intensos e prolongados, habituais
apenas na área do esporte de alto desempenho.
TREINAMENTO RESISTIDO E APTIDÃO FÍSICA
Todas as qualidades funcionais de aptidão física são estimuladas
pelos exercícios resistidos: força, potência, resistência,
flexibilidade e coordenação 14,21. As qualidades metabólicas de
aptidão também aumentam estimuladas pelos exercícios resistidos,
principalmente o limiar anaeróbio.
O aumento da força muscular ocorre devido à aplicação de sobrecargas
tensionais progressivas. Sempre que os músculos esqueléticos são
contraídos contra alguma resistência ocorrem graus variáveis de
tensão nas estruturas musculares, proporcionais à resistência. A
solicitação de função contrátil do músculo caracteriza uma
sobrecarga de tensão. Atividades com tensão muscular em níveis
adequados, e repetidas com regularidade, constituem o estímulo
básico para o aumento de proteínas contráteis no sarcoplasma das
fibras musculares, caracterizando a hipertrofia dos músculos
esqueléticos 14,18. A contração habitual dos músculos com sobrecarga
tensional também produz ao longo do tempo o aprimoramento da
coordenação neuro-muscular, no sentido do recrutamento de unidades
motoras para ação simultânea. A hipertrofia e a melhor coordenação
resultam em aumento da força muscular. Como qualquer sobrecarga, a
graduação da tensão é fundamental para que se obtenha aprimoramento
de funções, evitando-se os riscos de lesões ou outros efeitos
deletérios ao organismo. A aplicação graduada de sobrecarga
tensional aos músculos esqueléticos tem sido obtida de maneira
ideal, eficiente e segura, com a utilização dos exercícios
resistidos. A potencia muscular aumenta proporcionalmente ao
incremento da força 14,18.
A resistência para todos os tipos de esforços aumenta com o
treinamento resistido devido ao aprimoramento da força e da
resistência dos músculos, e ao aumento do limiar anaeróbio.
Exercícios resistidos conseguem elevar o V02 máximo de forma
discreta em jovens, mas em idosos, aumentos de até 23% já foram
documentados 25.
A flexibilidade tende a aumentar durante o treinamento resistido
provavelmente porque os limites dos movimentos são adequadamente
solicitados nas amplitudes articulares disponíveis 3. O alongamento
muscular e articular faz parte dos exercícios resistidos, ocorrendo
durante a fase excêntrica. Na vigência de processos patológicos, o
ganho em flexibilidade pode ser limitado por dor ou alterações
anatômicas, independente do tipo de exercício realizado. Os graus de
flexibilidade que pessoas sem alterações patológicas conseguem por
meio do treinamento resistido não são máximos, embora sejam mais do
que suficientes para uma boa qualidade de vida 14,15,17,29.
A coordenação neuro-muscular melhora com a prática dos exercícios
resistidos, que por serem lentos e amplos, estimulam adequadamente
as terminações nervosas proprioceptoras. Dessa maneira, melhora o
equilíbrio, a precisão de movimentos e a consciência corporal
13,14,17,21.
TREINAMENTO RESISTIDO E COMPOSIÇÃO CORPORAL
Uma adequada composição corporal deve ser estimulada em todas as
pessoas, em função das relações importantes com a qualidade de vida
e a promoção de saúde geral.
Os estímulos da atividade física para aumento da massa óssea de
devem às compressões dos ossos e a melhora do perfil hormonal
anabólico. A compressão óssea pode ocorrer pelo suporte de pesos,
como o peso do corpo ou de equipamentos, ou pelo impacto, que é a
desaceleração brusca do corpo em movimento. Os exercícios com pesos
são os mais eficientes para estimular a massa óssea 14,17. Aspecto
relevante é que nos exercícios resistidos a compressão óssea ocorre
sem impacto, portanto sem um importante fator de lesão nas
atividades físicas. Essas qualidades dos exercícios resistidos têm
sido consideradas em propostas terapêuticas e profiláticas para a
osteoporose. As cartilagens articulares, discos intervertebrais,
ligamentos e tendões são estruturas importantes para a boa função
músculo-esquelética, e os exercícios resistidos são os mais
eficientes para estimular o seu fortalecimento, preservando a sua
integridade 14,17.
Todas as pessoas perdem massa muscular e força após a maturidade
14,15,16,17. A perda de massa muscular ocorre basicamente devido a
processo degenerativo do sistema nervoso, que leva ao
desaparecimento de motoneurônios no corno anterior da medula
espinal. Dessa maneira, algumas fibras brancas entram em processo de
atrofia. Com muita freqüência, associa-se a esse processo involutivo,
a hipotrofia de desuso, que não acomete apenas as pessoas
sedentárias. As atividades físicas que não impõem aos músculos
esqueléticos situações de tensão mais elevada, como por exemplo as
atividades aeróbias, não impedem a hipotrofia de desuso no
envelhecimento. Idosos que envelheceram praticando corrida e natação
de forma suave, apresentaram parâmetros de saúde e aptidão
superiores aos que envelheceram sedentários, mas a massa muscular
decaiu nos mesmos níveis 18. No entanto, idosos treinados com pesos
preservaram níveis consideráveis de massa muscular. A diminuição da
velocidade dos movimentos apresenta paralelismo com a redução de
massa muscular e da força: idosos treinados em musculação
preservaram também a velocidade dos movimentos. Sem estímulos
adequados, são observadas importantes reduções de massa muscular e
de força durante o envelhecimento. Como já visto, a força muscular é
uma qualidade de aptidão que contribui para a redução da intensidade
dos esforços da vida diária, e esse é um aspecto que tem sido
considerado prioritário em programas de reabilitação cardiovascular
1,4,9,11,14,24,26,28.
Gordura corporal em quantidades reduzidas é necessária não apenas
para promoção de saúde geral e controle de doenças cardiovasculares,
mas também para manter um adequado equilíbrio hormonal e não levar à
sobrecargas excessivas no aparelho locomotor. Todos os tipos de
atividade física contribuem para a redução do tecido adiposo
6,14,17,24,28,29. Condição indispensável para que ocorra mobilização
da gordura corporal e o balanço calórico negativo, cujo principal
mecanismo é a redução da ingestão alimentar. Sendo o tecido adiposo
a principal forma de reserva de energia do organismo, compreende-se
que quando faltam calorias na alimentação para suprir a demanda
energética, ocorre mobilização de gordura corporal. A contribuição
dos exercícios físicos em geral para o processo de emagrecimento
decorre do aumento no gasto calórico diário. No caso dos exercícios
resistidos, ocorre também o estimulo para aumento da taxa metabólica
basal devido ao aumento da massa muscular 6,14,17,24,28,29.
Acredita-se que a tendência das pessoas engordarem com a idade seja
em grande parte devido à redução da taxa metabólica basal decorrente
de perda progressiva de massa muscular. O fato de que a mobilização
de gordura ocorre apenas pela via energética aeróbia, levou a
conclusões precipitadas no sentido de que apenas os exercícios
aeróbios estimulariam o emagrecimento. Na realidade, os exercícios
não aeróbios levam a mobilização de gordura no período de repouso,
que é uma situação de metabolismo aeróbio. Numerosos estudos
documentam redução do tecido adiposo estimulada pelos exercícios
resistidos 6,14,17,24,28,29.
TREINAMENTO RESISTIDO E SAÚDE
A saúde cardiovascular parece ser estimulada por qualquer tipo de
atividade física 6,14,17,24,28,29,30. Assim sendo, são esperados
efeitos salutares advindos do trabalho braçal, das diversas
modalidades esportivas, do lazer com atividades físicas e dos
programas sistematizados de condicionamento físico 30. Aptidão
cardiovascular, no entanto, conceituada como a capacidade do sistema
cardiocirculatório suportar atividades com sobrecargas funcionais
importantes, é melhor estimulada por formas de atividade física
contínuas com intensidade e duração adaptadas individualmente. O
treinamento resistido tem efeitos menos evidentes em parâmetros de
aptidão cardiovascular 20,24,27,28. O principal estímulo para a
saúde cardiovascular da atividade física parece ser a menor
incidência de doenças crônicas que evoluem para a degeneração
vascular 6,14,17,24,28,29,30. Pessoas mais ativas apresentam menor
incidência de hipertensão arterial, dislipidemia, obesidade e
diabetes mellitus do tipo II. Trabalhos recentes documentam que
atividades físicas mais intensas são mais eficientes para promoção
de saúde cardiovascular. Em recente estudo de coorte com 44.452
homens acompanhados por 12 anos, verificou-se que uma hora de
corrida por semana reduziu o risco de doença arterial coronariana em
42%; uma hora de remo por semana, em 18%; e apenas meia hora por
semana de musculação, em 23% 23. Atualmente já encontramos revisões
sobre trabalhos que documentaram importantes efeitos protetores
cardiovasculares do treinamento resistido 6,8,10,14,17,22,24,28,29.
A razão da indicação tradicional de exercícios aeróbios como
caminhar, pedalar ou nadar de forma relativamente suave, para a
população em geral, se prende ao fato de que esses exercícios são
mais seguros do que atividades contínuas mais intensas. Pessoas
idosas, no entanto, com freqüência têm dificuldades para realizar
exercícios aeróbios mesmo que suaves como caminhar 2,14,16. Dores
articulares, vertigens, falta de equilíbrio e dispnéia podem ser os
fatores limitantes nesses casos, não raros na população idosa. Para
essa população, os exercícios resistidos estão sendo considerados os
mais adequados não apenas pela possibilidade de realização, mas
também pelos seus importantes efeitos, incluindo a promoção de saúde
cardiovascular 17,21,24,28,29.
Saúde músculo-esquelética pode ser definida como a boa condição
anatômica e funcional do aparelho locomotor. Os processos
degenerativos das articulações não podem ser evitados quando há
predisposição genética, mas a força muscular preservada e a
flexibilidade mantida em níveis possíveis, permitem geralmente uma
boa função e pouca dor 7,13,14,17,21,28,29. O envelhecimento
associado ao sedentarismo tende a potencializar processos
degenerativos em cartilagens, ligamentos, tendões e músculos, além
de reduzir a massa óssea. A atividade física em geral apresenta
efeitos que se contrapõem aos anteriormente citados, mas os
exercícios resistidos são os mais eficientes para estimular a
integridade dos tecidos componentes do aparelho locomotor
13,14,15,17,29. Sendo esses aspectos de grande relevância para o bem
estar das pessoas, compreende-se a atual ênfase que se dá aos
exercícios resistidos em todas as faixas etárias, mas principalmente
em pessoas idosas. Doenças cardiovasculares com freqüência levam as
pessoas a diminuírem seus níveis de atividade física e a intensidade
dos esforços habituais, potencializando a degeneração dos tecidos
musculoesqueléticos 1,9,14. Em programas de reabilitação
cardiovascular, a promoção da integridade dos tecidos
musculoesqueléticos deve ser um dos objetivos, visando a boa
qualidade de vida 24,28.
SEGURANÇA DOS EXERCÍCIOS RESISTIDOS
A segurança de qualquer atividade física é dada pela adequação
correta das sobrecargas às condições físicas dos praticantes.
Exercícios intensos, com grande produção energética na unidade de
tempo têm geralmente sobrecargas elevadas. Nas atividades menos
intensas as sobrecargas são menores e, portanto, exercícios suaves
são mais adequados às pessoas debilitadas. As sobrecargas
musculoesqueléticas são as compressões, trações, torções, impactos,
e repetições. As sobrecargas cardiovasculares podem ser de volume e
de pressão, avaliadas pela freqüência cardíaca e pela pressão
arterial. Considerando as atividades esportivas mais comuns, os
jogos com bola e as lutas em geral são as modalidades com maiores
sobrecargas musculoesqueléticas. Os exercícios contínuos intensos
como correr, pedalar e nadar são as atividades com maiores
sobrecargas cardiovasculares. A musculação intensa tem sobrecargas
consideráveis, tanto musculoesqueléticas quanto cardiovasculares,
porém em graus menos elevados do que as anteriormente citadas. Os
exercícios contínuos suaves, geralmente aeróbios como caminhar,
pedalar ou nadar de forma lenta, possuem baixas sobrecargas e são
seguros para a maioria das pessoas. Mas a musculação suave é uma
atividade ainda mais adequada para pessoas debilitadas, com doenças
crônicas e baixos níveis de aptidão física, como é o caso de grande
parte da população idosa 2,14,17,21. Suportar o peso do corpo e
caminhar pode impor sobrecargas musculoesqueléticas excessivas para
pessoas nessas condições. Pedalar ou caminhar com alguma velocidade
pode elevar excessivamente a freqüência cardíaca. Assim sendo, os
exercícios resistidos estão cada vez mais sendo preferenciais em
casos de pessoas debilitadas, não apenas em função da sua eficiência
em promover as adaptações mais importantes para a qualidade de vida,
mas também pelo elevado grau de segurança geral 6,14,17,21.
Os exercícios resistidos podem ser definidos como “exercícios
controlados”, porque todos os fatores de sobrecarga são facilmente
controlados. Por essa razão, e pelos seus importantes efeitos
fisiológicos, são exercícios terapêuticos por excelência. No caso de
doenças ou lesões as cargas devem ser limitadas pelas sensações
dolorosas. Os aparelhos para exercícios resistidos permitem
contrações musculares contra resistências mais baixas do que as
habituais nos exercícios em geral, onde atua o peso corporal, muitas
vezes excessivo. A adequação das amplitudes de movimento também é
importante para garantir a segurança dos exercícios resistidos. Em
alguns casos deve ser muito limitada, com apenas poucos graus de
movimentação articular, em função de dores. Tanto as cargas quanto
as amplitudes devem ser gradativamente aumentadas, em pequenos
incrementos, sempre que possível. Nos exercícios resistidos não
ocorrem fatores de lesões comuns em esportes como acelerações e
desacelerações bruscas, torções, impactos, traumas diretos e risco
de quedas. O volume do treinamento, dado pela duração das sessões e
pela sua freqüência semanal, pode ser também adequadamente adaptado
às condições individuais, e lentamente evoluir. Por todas essas
razões, a segurança dos exercícios resistidos está assegurada do
ponto de vista musculoesquelético 13,14,17,21,29.
A segurança cardiovascular dos exercícios resistidos é garantida
pela adequação do duplo-produto às condições individuais
1,5,11,13,14,19. A freqüência cardíaca (FC) nos exercícios
resistidos em geral é menor do que a habitual em exercícios
contínuos. Fatores que podem aumentar a FC nos exercícios resistidos
são as repetições altas, acima de dez, os intervalos de descanso
entre séries, curtos, abaixo de um minuto, e o esforço máximo.
Portanto, em treinamento resistido para pessoas debilitadas ou em
grupo de risco cardiovascular, recomendam-se as repetições na faixa
de oito a doze, os intervalos entre séries entre um e dois minutos,
e o grau de esforço em nível sub-máximo, interrompendo os movimentos
duas ou três repetições antes da falência muscular. A pressão
arterial tende a subir em todas as formas de exercício físico. Nos
exercícios contínuos a tendência é a elevação da pressão sistólica e
queda ou manutenção da diastólica. Nos exercícios resistidos a
pressão sistólica aumenta em picos no começo da contração
concêntrica, e pode atingir valores elevados nas contrações lentas
em apnéia. Essa situação caracteriza o esforço máximo em treinamento
resistido, que não é recomendado por prudência no caso de pessoas
com risco de acidentes cardiovasculares, mas que tem se mostrado
inócua em testes de carga máxima em idosos e cardiopatas de baixo e
médio risco 13,14,24,28. Por outro lado, durante exercícios
resistidos a pressão arterial diastólica tende a aumentar, sendo um
dos fatores que explicam a menor incidência de intercorrências
arrítmicas e isquêmicas em coronarianos, comparativamente a
exercícios aeróbios 14,28. O aumento da pressão arterial diastólica
durante os exercícios resistidos garante maior fluxo coronariano.
Outro fator explicativo da boa tolerância cardiovascular dos
exercícios resistidos com grau de esforço sub-máximo é a menor
freqüência cardíaca, que traduz menor trabalho do coração, em
relação a exercícios aeróbios. Outro fator de maior segurança,
sempre em comparação com exercícios aeróbios, é o menor volume
diastólico final dos ventrículos, que determina baixa pressão de
parede e conseqüentemente melhor circulação coronariana
sub-endocárdica. Isto ocorre porque nos exercícios resistidos o
retorno venoso está pouco aumentado e o volume diatólico final é
pequeno. Nos exercícios contínuos, onde a sobrecarga cardíaca é dita
“de volume”, em contraste com a sobrecarga “de pressão” dos
exercícios resistidos, o volume diastólico final é elevado, com
maior pressão de parede no miocárdio, e circulação coronariana
dificultada. A relação Pressão Diastólica / Duplo-Produto tem sido
considerada um bom indicativo da relação oferta/demanda de oxigênio
para o miocárdio e é francamente favorável aos exercícios resistidos
em relação aos exercícios aeróbios 14,28. Um dos primeiros estudos
com coronarianos em processo de reabilitação cardíaca pós infarto do
miocárdio, a incidência de arritmias e/ou isquemia foi de 70% em
exercícios aeróbios e de apenas 3% em exercícios resistidos 11.
Outros estudos mostraram resultados semelhantes 24,28. Os poucos
casos de hemorragia cerebral documentados na literatura em
associação com treinamento de força foram atribuídos à ruptura de
aneurismas congênitos. Em mais de 26.000 testes de carga máxima
realizados em clínica especializada, nenhum caso de acidente
cardiovascular foi documentado 24,28. A manobra de Valsalva aumenta
as respostas pressóricas do exercício resistido e tem sido
considerada um indicativo de grau de esforço inadequado para
cardiopatas em geral. Mas por outro lado, a apnéia aumenta a pressão
externa sobre as artérias torácicas, abdominais e cerebrais,
diminuindo a probabilidade de rupturas pelo equilíbrio das pressões
transmurais 28. A apnéia não pode ser evitada quando as repetições
são realizadas até a falência muscular. Todavia, esse grau de
esforço tem sido evidenciado como seguro mesmo na vigência de
cardiopatias compensadas 14,24,28. Apesar do aumento progressivo da
pressão arterial média que ocorre em cada repetição de um exercício
resistido, o fluxo sanguíneo cerebral se mantém dentro de valores
basais 12.
Em condicionamento físico para pessoas sedentárias ou idosas, e em
reabilitação cardiovascular, recomenda-se como cuidado importante a
medida da pressão arterial antes de cada sessão de treinamento,
principalmente nas pessoas com hipertensão arterial. Uma eventual
crise hipertensiva deve ser identificada. Quando a pressão arterial
de repouso estivar acima de 180/110 mm Hg não se recomenda o início
dos exercícios e uma reavaliação clínica se impõe 28. A medida da
pressão arterial também deve ocorrer ao final da sessão de
treinamento, principalmente nas pessoas idosas, visando detectar uma
redução sintomática da pressão arterial pós-exercício 12. Quando
isso ocorrer, a pessoa deve ser mantida sob observação antes de ser
liberada do local de treinamento. A freqüência cardíaca não é
parâmetro para graduação da intensidade do treinamento resistido, e
sua medida somente é importante para verificar se os intervalos de
descanso estão tendo a duração suficiente para reduzir os batimentos
cardíacos para níveis próximos dos de repouso 19.
CONCEITOS FISIOLÓGICOS IMPORTANTES
Aspecto relevante para corretos conceitos em fisiologia do exercício
é que embora os exercícios resistidos possam ser extremamente
suaves, a produção energética é do tipo anaeróbia, visto que muitas
fibras musculares são ativadas nas contrações, o que dificulta a
chegada de sangue em todas as fibras. O conceito de que exercícios
anaeróbios são intensos e aeróbios são suaves é válido apenas para
atividades contínuas, não se aplicando à musculação.
Outro aspecto que merece esclarecimentos é a relação entre potência
e intensidade de esforço. Enquanto a potência define a energia
produzida na unidade de tempo, a intensidade diz respeito às
repercussões fisiológicas do esforço. Evidentemente potência e
intensidade são proporcionais. Habitualmente a intensidade dos
exercícios resistidos é definida em função do porcentual de carga
máxima utilizada, ou seja, o porcentual da carga que pode ser
movimentada uma única vez (1RM). Esse porcentual faz referência à
quantidade de peso utilizada, e conseqüentemente às repetições
possíveis, mas não leva em conta o grau de esforço utilizado e o
intervalo de descanso entre as séries, que influem muito na
repercussão fisiológica do esforço. Nos exercícios resistidos,
quanto maior a carga utilizada, maior a potência, e maiores as
sobrecargas musculoesqueléticas e cardiovasculares. No entanto, as
evidências demonstram que mesmo com cargas elevadas, as sobrecargas
musculoesqueléticas não são perigosas mesmo para pessoas idosas com
fragilidade, visto que as compressões e trações mais elevadas podem
ser compensadas com reduções adequadas de amplitude de movimentos
13,14. Outras formas de sobrecargas musculoesqueléticas como
impactos, torções, repetições excessivas e risco de trauma e quedas
não estão presentes no treinamento resistido.
Do ponto de vista cardiovascular, as elevações do duplo produto não
são excessivas quando se utilizam cargas elevadas e intervalos de
descanso com duração suficiente para permitir a volta da freqüência
cardíaca a níveis próximos dos de repouso, geralmente entre um e
dois minutos 19. Elevações acentuadas do duplo produto tendem a
ocorrer no treinamento resistido quando são realizadas repetições
altas associadas a intervalos curtos de descanso e ao esforço máximo
1,25. Nesse sentido, consideramos importantes e adequadas algumas
definições:
- Treinamento pesado, ou de potência elevada: quando se utilizam
cargas acima de 75% da carga máxima (1 RM).
- Esforço máximo: quando as repetições são realizadas até a falência
muscular.
- Intervalos curtos entre séries: abaixo de um minuto.
- Intervalos longos entre séries: acima de dois minutos.
- Repetições altas: acima de quinze.
- Repetições baixas: abaixo de seis.
- Intensidade máxima: treinamento realizado com repetições altas,
intervalos curtos e esforço máximo.
Uma boa eficiência dos exercícios resistidos para a aptidão musculoesquelética e para a composição corporal exige treinamento pesado, mas por prudência, não se recomenda o esforço máximo em situações de debilidade geral e risco cardiovascular 6,13,14,24,28. Nessas situações também não se recomenda o treinamento resistido com intensidades máximas, devido ao duplo produto elevado, embora os efeitos na aptidão cardiovascular possam ser mais eficientes.
ASPECTOS TÉCNICOS DO TREINAMENTO RESISTIDO
As técnicas de treinamento resistido estão razoavelmente
sistematizadas para esportes e aptidão, mas para populações
debilitadas, terapêutica e reabilitação, novos trabalhos tendem a
modificar orientações.
Os exercícios resistidos são realizados no sistema de séries e
repetições. Repetições são os movimentos repetidos que se realizam
seqüencialmente, sem descanso. Uma série é um conjunto de
repetições, seguidas por um intervalo de descanso.
Os exercícios resistidos geralmente são isotônicos, apresentam
alternância de contrações concêntricas e excêntricas. Na contração
concêntrica a força gerada pela contração muscular é maior do que a
resistência oposta ao movimento, o que determina o encurtamento do
músculo. Na contração excêntrica a força muscular é menor do que a
carga, ocorrendo então o alongamento do músculo apesar da contração.
Quando o exercício é levado até a exaustão muscular momentânea
ocorre a chamada contração muscular máxima, que é uma contração
concêntrica lenta, com características isométricas, sendo impossível
evitar a apnéia. Neste caso, o grau de esforço identificado na
escala de Borg é o máximo ou “extremamente difícil” (19-20). Quando
a série é interrompida uma repetição antes da contração muscular
máxima, a sensação de esforço costuma ser definida como “muito
difícil”, com escala de Borg entre 17 e 18. Estas duas situações são
definidas como ideais para máximos estímulos de treinamento em
musculação esportiva, não sendo possível estabelecer a superioridade
de uma em relação à outra. O treinamento nesse caso é definido como
realizado com “cargas máximas” ou com “repetições máximas”. Uma
forma de sintetizar essa situação é grafar, por exemplo, “10 RM”,
onde se entende que dez repetições são realizadas até a falência
muscular, ou quase até esse ponto.
Para objetivos de condicionamento físico geral e cardiovascular,
incluindo exercícios terapêuticos para pessoas idosas fragilizadas,
o grau de esforço habitualmente recomendado é o sub-máximo, com as
séries sendo interrompidas duas ou três repetições antes da
contração muscular máxima. Esse grau de esforço tem sido
identificado como “difícil” na escala de percepção de esforço de
Borg (em torno de 15), e é compatível com estímulos eficientes para
o treinamento, garantindo boa segurança geral 6,13,14,24,28. Em
nossos serviços utilizamos a grafia “10 RsM” para designar esse grau
de esforço.
A faixa de repetições habitualmente utilizada em treinamento
resistido na área dos esportes é de uma a 20. O treinamento
esportivo clássico para ganhos de força utiliza repetições baixas,
entre uma e cinco, com cargas evidentemente maiores do que as
utilizadas para realizar mais repetições. Repetições mais altas,
entre 15 e 20, são as mais indicadas para desenvolver resistência
muscular, geralmente utilizadas na preparação física de esportistas.
No entanto, a faixa de repetições mais utilizada em musculação
esportiva é de seis à 15, geralmente entre oito e 12. Com essa faixa
de repetições consegue-se uma mescla de efeitos, com aumentos
consideráveis na força e na resistência, além de estímulos máximos
para aumentos de massa muscular. A faixa de repetições habitualmente
utilizada para condicionamento físico e exercícios terapêuticos
também é de oito à 12, em função da boa eficiência e da segurança
geral 6,13,14,24,28. Cargas mais altas para repetições mais baixas
aumentam as sobrecargas músculo esqueléticas, e cargas menores para
repetições mais altas aumentam as sobrecargas cardiovasculares, com
elevação do duplo produto 19. Esta parece ser uma tendência de
orientação também em reabilitação cardiovascular.
No treinamento resistido, a escolha da carga em cada exercício deve
ser feita visando a realização das repetições planejadas, e costuma
ser definida por aproximação sucessiva, sempre das menores possíveis
para as maiores 6,13,14,24,28. As primeiras séries de cada exercício
geralmente são realizadas com pesos leves a moderados, para a
finalidade de aquecimento. Nas séries que se seguem ao aquecimento,
as cargas são mais altas, máximas ou sub-máximas. No treinamento com
esforço máximo as cargas devem permitir a realização das repetições
planejadas, com a última repetição próxima da contração muscular
máxima. Nos exercícios sub-máximos, onde não ocorrem movimentos até
a falência muscular, a carga de treinamento é definida observando-se
a dificuldade apresentada para completar o número de repetições
planejado. Quando a contração concêntrica se torna lenta,
interrompe-se a série. Esse ponto do exercício também pode ser
identificado pela dificuldade em evitar a apnéia. As cargas devem
ser aumentadas sempre que for possível realizar mais repetições até
o ponto de interrupção de série. O teste de carga máxima (1RM) tem
sido utilizado em pesquisa para documentação da força disponível. No
entanto, a sua utilização para que se calculem porcentuais de carga
para treinamento foi uma proposta não bem aceita: é mais trabalhosa
que o método clássico de aproximação sucessiva, e implica em maiores
sobrecargas músculo-esqueléticas. Embora possível em muitas
situações, incluindo cardiopatias bem controladas, no caso de
doenças ou lesões do aparelho locomotor, os testes de carga máxima
não devem ser utilizados 6,13,14,24,28.
Em musculação esportiva, em cada sessão de treinamento, o número de
séries para cada grupo muscular geralmente fica entre seis e doze,
utilizando de dois a quatro exercícios. A freqüência de treinamento
atualmente mais utilizada em musculação esportiva é de uma a duas
sessões semanais para cada grupo muscular, utilizando o sistema
dividido de treino, em que partes do corpo são exercitadas a cada
dia. O treinamento costuma ocorrer de três a seis dias por semana.
Para condicionamento físico geral e para exercícios terapêuticos
6,13,14,24,28, incluindo a reabilitação cardiovascular, geralmente
são utilizados um ou dois exercícios por grupo muscular, e o número
de séries varia entre duas e quatro por exercício, incluindo as
séries leves para aquecimento. O mais habitual é a utilização de um
único exercício por grupo muscular, com três ou quatro séries, sendo
a primeira e a segunda consideradas como aquecimento: na primeira
série utiliza-se cerca de 50% da carga da terceira, e na segunda,
cerca de 75%. Apenas a carga da terceira série é considerada
estímulo de treinamento. Eventualmente essa série “pesada” pode ser
repetida, com a mesma carga, totalizando então quatro séries no
exercício. Para os objetivos citados, o mais habitual é que o
treinamento do corpo todo ocorra em cada sessão, que costuma ter a
duração entre 40 e 60 minutos. Neste caso, as sessões ocorrem duas
ou três vezes por semana, sempre com pelo menos um dia de descanso
entre dois dias de treino.
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