Texto selecionado sobre atividade física em geral e exercícios
resistidos
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| Atualizado em
21/06/2005 |
FISIOLOGIA DO EXERCÍCIO E TREINAMENTO RESISTIDO
NA SAÚDE,
NA DOENÇA
E NO ENVELHECIMENTO
Dr. José Maria Santarem
Doutor em Medicina, Fisiatra e Reumatologista.
Coordenador do CECAFI - Centro de Estudos em Ciências da Atividade
Física, da Disciplina de Geriatria da Faculdade de Medicina da
Universidade de São Paulo.
Contato: Rua Teodoro Sampaio 417, 1°
andar, sala 12, Cerqueira César -
CEP 05450-000 - São Paulo, SP.
Tel (11) 3085-4396/ e-mail: cecafi@dim.fm.usp.br |
A atividade física
é atualmente reconhecida como um importante fator promotor de saúde
em todas as idades (49, 67, 75). Estudos epidemiológicos
evidenciaram que as populações fisicamente ativas têm menor
incidência de muitas doenças crônicas, entre elas a hipertensão
arterial, obesidade, diabetes do tipo II, dislipidemia, osteoporose,
sarcopenia, ansiedade e depressão. Consequentemente, diminui a
ocorrência de aterosclerose e suas consequências: doença coronariana
(85, 93, 102, 103), doença cérebro-vascular e doença vascular
periférica. A atividade física também tende a manter níveis
adequados de aptidão física durante o envelhecimento, reduzindo o
risco de quedas e permitindo a realização confortável e segura dos
esforços da vida diária. As pessoas adequadamente ativas apresentam
menor risco de confinamento no leito devido à fraturas ósseas ou
incapacidade física, apresentando menor taxa de mortalidade por
infecções pulmonares e tromboembolismo. Alguns estudos associam
pouca atividade física com altas taxas de mortalidade por todas as
causas, e estima-se que 250.000 mortes por ano nos Estados Unidos da
América poderiam ser evitadas por atividade física habitual.
De maneira geral, a
atividade física tem efeitos fisiológicos contrários aos do
sedentarismo (45). A composição corporal tende a piorar no
sedentarismo devido ao aumento do tecido adiposo e redução da massa
óssea e da massa muscular. Todas as qualidades de aptidão física
apresentam redução em seus níveis nas pessoas sedentárias,
dificultando a vida diária e reduzindo o bem estar psicológico e
social. O fato de que os efeitos do sedentarismo são lentamente
instalados, explica porque pessoas jovens sedentárias não costumam
ter consciência dos seus malefícios. Por outro lado, as pessoas
idosas sentem os efeitos do sedentarismo nas limitações que
encontram para a vida diária, e nas doenças crônicas manifestas.
Os efeitos
salutares e terapêuticos da atividade física ocorrem devido a alguns
mecanismos conhecidos e devido a outros ainda pouco compreendidos
(30, 69). Entre eles estão o aumento do HDL-colesterol, redução dos
triglicerídeos, redução da pressão arterial de repouso, diminuição
da sensibilidade à adrenalina, estímulo de fatores endoteliais de
vasodilatação, redução da agregação plaquetária, estímulo à
fibrinolise, aumento da sensibilidade das células à insulina,
produção de citocinas anti-inflamatórias, estímulo ao metabolismo
dos carboidratos, estímulo hormonal anabolizante, modulação
imunológica, maior gasto calórico, tendência à elevação da taxa
metabólica basal, estímulo trófico músculo-esquelético, melhora da
estabilidade articular dinâmica e analgesia neuro-endócrina.
Aspecto relevante é
que a menor incidência de doenças sistêmicas crônicas parece ser
efeito comum de qualquer tipo de atividade física, entendida como
contração muscular. A atividade física geralmente leva ao movimento,
mas nem sempre: contração muscular isométrica é atividade física e
não produz movimento articular. A caraterística em comum de todos os
tipos de atividade física é o gasto calórico. Assim sendo, são
esperados efeitos salutares advindos do trabalho braçal, das
diversas modalidades esportivas, do lazer com atividades físicas e
dos programas sistematizados de condicionamento físico (85, 93,
102). O único parâmetro das atividades físicas que parece manter
proporcionalidade com a redução na incidência de doenças sistêmicas
crônicas é o gasto calórico. Quanto mais calorias forem gastas em
atividade física habitual maiores serão os benefícios para a saúde,
mas as maiores diferenças na incidência de doenças ocorrem entre os
sedentários e os pouco ativos. Entre estes e as pessoas mais ativas,
a diferença não é grande. Para que o gasto calórico das atividades
físicas seja semelhante, as mais intensas podem ser realizadas em
períodos mais curtos e menos freqüentes, enquanto que atividades
menos intensas precisam ser mais prolongadas e/ou mais freqüentes.
Gasto calórico semanal em atividades físicas da ordem de 1.400 Kcal
parece ser um objetivo adequado em programas de promoção de saúde,
com atividades relativamente suaves. A redução de placas de ateromas
foi demonstrada em associação com gasto calórico semanal de 2.200
Kcal (30). Trabalhos recentes demonstraram que atividades mais
intensas produzem efeitos salutares com menor gasto calórico, em
torno de 1.000 Kcal por semana (85, 93, 102). Um seguimento de
44.452 homens durante 12 anos demonstrou que o risco de desenvolver
doença arterial coronariana diminuiu em 43% com apenas uma hora por
semana de corrida, em 23% com 30 minutos por semana de treinamento
com pesos, e em 18% com uma hora por semana de remo (93).
Por outro lado, as
qualidades de aptidão como coordenação, velocidade, força,
flexibilidade, potência, resistência e os parâmetros de condição
aeróbia, são estimuladas de forma diferente pelas diversas formas de
atividade física. Assim sendo, para alguns objetivos específicos,
alguns tipos de atividade física poderão ser mais eficientes. Do
ponto de vista do idoso, considerando a freqüente situação de
comorbidades, a indicação de atividade física deve considerar seus
efeitos salutares em geral e efeitos mais específicos para cada
caso, mas também devem ser levadas em conta as limitações e riscos
individuais. A preferência individual deve ser considerada, sempre
que possível. Para que a indicação de atividade física pelo
profissional médico seja adequada, é necessário o conhecimento de
alguns aspectos importantes da fisiologia do exercício.
CONCEITOS BÁSICOS
As qualidades básicas de aptidão física são:
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Destreza: capacidade de
coordenar adequadamente os movimentos. |
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Flexibilidade: capacidade de
realizar movimentos amplos nas articulações. |
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Força: capacidade de gerar
tensão nos músculos esqueléticos. |
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Velocidade: capacidade de
realizar movimentos rápidos. |
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Resistência: capacidade de
prolongar esforços. |
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Potência: capacidade de
realizar trabalho na unidade de tempo |
Os exercícios físicos podem ser classificados da seguinte maneira:
 |
Contínuos: interrompidos apenas
no final da sessão. |
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Intervalados: apresentam
interrupções para descanso durante a sessão. |
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Isotônicos: apresentam
alternância de contrações concêntricas e excêntricas. |
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Isométricos: utilizam
contrações estáticas (isométricas). |
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Dinâmicos: isotônicos,
geralmente com deslocamento do corpo no espaço. |
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Estáticos: isotônicos ou
isométricos, sem deslocamento do corpo. |
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Aeróbios: a produção energética
é quase que exclusivamente aeróbia. |
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Anaeróbios: grande parte da
energia é produzida anaerobiamente. |
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Suaves: induzem sobrecargas
seguras com pequenas alterações de homeostase. |
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Intensos: induzem sobrecargas
maiores, com maiores alterações de homeostase. |
As definições
básicas em fisiologia do exercício podem necessitar de alguns
esclarecimentos para o adequado entendimento e para suas
aplicações práticas:
A potência
é a capacidade de realizar trabalho na unidade de tempo e também
pode ser conceituada como capacidade de acelerar cargas; nos
movimentos explosivos é uma associação de força com
velocidade, e em atividades mais prolongadas, associa força com
velocidade e resistência.
A intensidade
dos esforços faz referência aos graus de sobrecargas
músculo-esqueléticas e cardiovasculares das atividades, em
associação com suas repercussões orgânicas imediatas: circulatórias,
hormonais e metabólicas. A intensidade dos esforços costuma ser
primariamente avaliada considerando-se as alterações imediatas de
freqüência cardíaca e de pressão arterial, o que depende da aptidão
individual: atividades consideradas intensas para pessoas
debilitadas podem ser suaves para pessoas treinadas. Nos exercícios
contínuos como correr, pedalar e nadar, a intensidade é proporcional
à potência das atividades: quanto maior a demanda energética na
unidade de tempo, maiores as sobrecargas músculo-esqueléticas e
cardiovasculares e suas repercussões na homeostase. No entanto, nos
exercícios resistidos com pesos, que são intervalados e atualmente
muito utilizados para pessoas idosas, a potência costuma ser
proporcional apenas à sobrecarga músculo-esquelética, sem
paralelismo direto com a sobrecarga cardiovascular. Nestes
exercícios as contrações musculares com cargas relativamente
elevadas podem ser suaves mesmo para pessoas debilitadas. Como
veremos adiante, aspectos técnicos como a utilização de esforço
sub-máximo, repetições baixas e intervalos longos entre as séries,
garantem pequenas alterações de freqüência cardíaca e de pressão
arterial. Movimentos lentos com cargas e amplitudes adequadas às
condições individuais garantem suavidade do ponto de vista
músculo-esquelético.
A resistência
é a capacidade de prolongar esforços e pode ser aplicada à
atividades de maior ou menor intensidade, solicitando qualidades
metabólicas específicas. Prolongar esforços de alta intensidade como
a maioria das formas de trabalho braçal exige uma adaptação dos
músculos esqueléticos conhecida como resistência muscular
localizada. Esta qualidade associada à força garante as
potências adequadas para a atividade. Os exercícios resistidos são
os mais eficientes para esse objetivo. Para prolongar esforços
contínuos com qualquer intensidade, torna-se importante o
desenvolvimento da potência aeróbia máxima, medida pelo VO2
máximo ou volume máximo de oxigênio que pode ser metabolizado em
produção energética na unidade de tempo. Os exercícios contínuos com
intensidades adequadas para cada situação são os mais eficientes
para esse objetivo. Para prolongar atividades suaves como caminhar,
é necessário o desenvolvimento da capacidade aeróbia, que é
diretamente proporcional a força muscular. Os exercícios resistidos
são muito eficientes para esse objetivo. A capacidade aeróbia é
grande quando a pessoa consegue realizar atividades suaves
recrutando pequeno número de fibras musculares e isto é conseguido
quando as fibras individualmente são fortes. A utilização de poucas
fibras musculares na atividade permite uma maior alternância de
unidades motoras e consequentemente maior capacidade de prolongar o
esforço (42). O limiar anaeróbio é o parâmetro metabólico que mede a
capacidade aeróbia. Quando a solicitação de fibras musculares
ultrapassa a marca de 30 a 40% das fibras disponíveis, começa a
ocorrer obstrução parcial da circulação intramuscular, dificultando
a chegada de oxigênio a todas as fibras em atividade. Isto ocorre
devido a compressão dos vasos sangüíneos pelo aumento de diâmetro
das fibras durante a contração muscular. Esta situação desencadeia a
participação da via metabólica anaeróbia na produção energética, com
conseqüente elevação nos níveis de lactato sangüíneo. O aumento da
força muscular aumenta o limiar anaeróbio porque a capacidade de
trabalho obtida com 30 a 40% de fibras fortes em atividade é maior
do que a conseguida com fibras mais fracas.
Atividades aeróbias são as realizadas com intensidades abaixo do
limiar anaeróbio, portanto com a produção energética exclusivamente
aeróbia. Essa situação é conhecida como estado estável. Um erro
freqüente é considerar exercícios aeróbios como sendo sempre suaves,
e os exercícios anaeróbios como sempre intensos. Nos exercícios
contínuos a intensidade é proporcional à potência, e nesses casos os
níveis anaeróbios de produção energética são realmente mais intensos
e portanto perigosos em algumas situações. Mesmo em nível aeróbio de
produção energética, quando a potência se aproxima do limiar
anaeróbio, exercícios contínuos podem ser intensos, com sobrecargas músculo-esquelética e cardiovasculares perigosas para pessoas
debilitadas ou com doenças crônicas. Por outro lado, nos exercícios
resistidos o metabolismo energético é quase sempre anaeróbio, visto
que geralmente mais de 40% das fibras são solicitadas, mas como já
vimos, estes exercícios podem ser suaves.
Um aspecto de nomenclatura em fisiologia do exercício que tem gerado
alguma confusão é a atual designação dos exercícios em que as
contrações musculares ocorrem contra alguma forma de resistência,
geralmente pesos. Em português, as denominações mais tradicionais
para a utilização desses exercícios são: treinamento com pesos, ou
de força, ou contra-resistência. Em inglês as denominações clássicas
são weight training ou strength training. Mais recentemente, surgiu
em inglês a denominação resistance training ou resistive training,
cujo significado é treinamento de força, realizado contra
resistências (29). A tradução mais adequada é treinamento resistido.
No entanto, muitas vezes essas expressões são traduzidas com um de
dois significados: exercícios contínuos de resistência (pedalar,
nadar, caminhar ou correr), ou exercícios com pesos mais leves e
maior número de repetições. As duas interpretações estão incorretas.
APTIDÃO FÍSICA NA VIDA DIÁRIA
O aprimoramento das
qualidades de aptidão física tem evidente importância quando existe
o objetivo de realizar grandes esforços, como no caso da prática
esportiva. No entanto, os esforços da vida diária exigem aptidão em
níveis adequados para que as atividades sejam possíveis e não
representem fatores de desconforto ou risco de lesões
músculo-esqueléticas e acidentes cardiovasculares. Neste sentido é
importante o conhecimento dos efeitos das diversas qualidades de
aptidão nas atividades diárias comuns, para que intervenções com
exercícios sejam eficientes. Pessoas idosas costumam apresentar
perda progressiva da aptidão geral, como conseqüência do
sedentarismo prolongado. Paralelamente, processos patológicos podem
limitar a capacidade de realizar exercícios, justificando que as
intervenções com atividade física sejam criteriosas e objetivas.
O sedentarismo ou a
hipocinesia induzida por doenças levam a uma redução gradativa e às
vezes acentuada das qualidades de aptidão física, podendo
comprometer seriamente a capacidade de realizar atividades diárias,
dificultando a locomoção, aumentando os riscos de quedas e criando
situações de risco cardiovascular nos esforços habituais. As
qualidades de aptidão física que mais comprometem a qualidade de
vida quando reduzidas são força e flexibilidade.
Com relação à
flexibilidade, a sua redução pode dificultar a realização de
movimentos ou até mesmo impedi-los (40). No entanto, mesmo na
presença de processos degenerativos ou inflamatórios crônicos das
articulações, é possível promover ganhos de flexibilidade. Aspecto
relevante é que os exercícios habitualmente utilizados para induzir
melhorias na força muscular, também promovem ganhos de amplitude
articular, até os limites permitidos pelas alterações patológicas.
Ainda do ponto de
vista biomecânico, a força muscular também é fundamental para a
realização dos movimentos (40). Tomando como exemplo a ação de
levantar de uma cadeira, sabe-se que uma pessoa jovem utiliza em
média 50% da força do músculo quadríceps para levantar lentamente, e
cerca de 70% da força disponível para levantar rápido; uma pessoa de
80 anos, sedentária, utiliza em média 90% da força do quadríceps
para levantar lentamente, e seria necessário 120% da força
disponível para levantar rápido. Portanto, a realização dos
movimentos necessários para a vida diária depende de graus
relativamente elevados de força muscular. Particularmente o trabalho
braçal, profissional ou doméstico, é muito dependente da força e da
resistência dos músculos esqueléticos. Os exercícios mais utilizados
para aumento da força dos músculos também são os mais eficientes
para promover a chamada “RML” (Resistência Muscular Localizada),
permitindo prolongar as atividades intensas.
A capacidade de
manter o equilíbrio do corpo é importante para diminuir o risco de
quedas (40). A redução da força muscular parece ser o principal
responsável pelo aumento da incidência de quedas em pessoas idosas,
tendo importância secundária a redução dos reflexos posturais. Mesmo
com reflexos presentes, a queda pode ser inevitável se os efetores
finais que são os músculos esqueléticos estiverem fracos.
A capacidade de
locomoção pode ser seriamente afetada pela redução da força muscular
(40). Para a que a marcha seja possível, confortável e segura, a
força é a aptidão mais importante. A capacidade de manutenção da
postura, do equilíbrio e de aceleração para os passos dependem
diretamente da força muscular. Resistência para caminhar significa
poder prolongar a marcha confortavelmente. Esta condição depende da
capacidade aeróbia, medida pelo limiar anaeróbio e muito estimulada
pelo aumento da força muscular. Como já vimos, o limiar anaeróbio é
a intensidade de esforço acima da qual a produção energética não
pode ser mantida apenas pela via metabólica aeróbia. Sempre que as
fibras musculares individualmente apresentam discretos graus de
força, a tensão necessária para o movimento é conseguida com o
recrutamento de maior número de fibras. Pessoas fortes caminham com
ativação de poucas unidades motoras, enquanto que pessoas fracas
utilizam muitas fibras para a marcha. Visto que quando mais do que
30 a 40% das fibras musculares são ativadas a produção energética
não pode ser realizada exclusivamente pela via metabólica aeróbia,
nestas situações ocorre produção de ácido láctico e conseqüente
aumento de lactato no sangue. Muitos idosos debilitados caminham
anaerobiamente, com desconforto e fadiga precoce. O quadro clínico é
o de claudicação intermitente, com o repouso permitindo continuar a
marcha por mais alguns passos. Pessoas debilitadas tem limiar
anaeróbio baixo porque pequenas intensidades de esforço já solicitam
mais de 40% das fibras musculares. O aumento da força muscular
aumenta o limiar anaeróbio e a capacidade aeróbia, o que aumenta a
resistência para esforços em geral (59).
Aspecto ainda pouco
divulgado é que a força muscular também é importante para diminuir o
risco de acidentes cardiovasculares nos esforços da vida diária.
Isto ocorre porque as pessoas mais fortes realizam as atividades com
menor número de fibras musculares, comparativamente com pessoas mais
debilitadas. A utilização de menor número de unidades motoras ativa
menos os ergoceptores musculares, que são terminações nervosas
livres dispersas entre as fibras (66). A ativação dos ergoceptores
desencadeia por mecanismos reflexos o aumento da freqüência cardíaca
e da pressão arterial, além do aumento da freqüência respiratória.
Assim sendo, pessoas mais fortes realizam tarefas com menores
alterações hemodinâmicas do que pessoas debilitadas, apresentando
nos esforços menores valores de duplo-produto (Freqüência Cardíaca x
Pressão Arterial Sistólica). Assim sendo, as pessoas com músculos
mais fortes realizam esforços com menores riscos cardiovasculares e
com maior conforto respiratório (61, 78).
Todas as pessoas
perdem massa muscular e força após a maturidade. A perda de massa
muscular ocorre basicamente devido a processo degenerativo do
sistema nervoso, que leva ao desaparecimento de motoneurônios no
corno anterior da medula espinal. Dessa maneira, algumas fibras
brancas entram em processo de atrofia total. Com muita freqüência,
associa-se a esse processo involutivo a hipotrofia de desuso, que
não acomete apenas as pessoas sedentárias. As atividades físicas que
não impõem aos músculos esqueléticos situações de tensão mais
elevada, como por exemplo as atividades aeróbias, não impedem a
hipotrofia de desuso no envelhecimento (51). Idosos que envelheceram
praticando corrida e natação apresentaram parâmetros de saúde e
aptidão superiores aos que envelheceram sedentários, mas a massa
muscular decaiu nos mesmos níveis. No entanto, idosos treinados com
exercícios de força preservaram massa muscular. A diminuição da
velocidade dos movimentos apresenta paralelismo com a redução de
massa muscular: idosos treinados em exercícios de força preservaram
também a velocidade dos movimentos. Sem treinamento adequado, são
esperadas reduções de massa muscular em torno de 10% dos 25 aos 50
anos, e de 30% dos 50 aos 80 anos. Por outro lado, já está
documentado que os exercícios de força em mulheres idosas pode
aumentar em até 10% a massa muscular e em até 200% a força, em
poucos meses de treinamento.
ESCOLHA DO TIPO DE ATIVIDADE FÍSICA
Atividades
esportivas em geral podem ser muito úteis no contexto de promover
qualidade de vida, em todos os aspectos. No entanto algumas
considerações são necessárias (46): muitas atividades esportivas não
desenvolvem força e flexibilidade em níveis adequados (51); pessoas
sedentárias podem não ter níveis de aptidão necessários para a
prática esportiva em geral; muitas pessoas idosas não tiveram
experiência prévia em ambiente esportivo, e apresentam dificuldades
de adaptação social nessas situações; mesmo com cuidados técnicos,
com freqüência não é possível evitar na prática esportiva as
situações de risco para lesões e para acidentes cardiovasculares.
Traumas músculo-esqueléticos são comuns em atividades que envolvem
saltos, arremessos, acelerações e desacelerações violentas, torções
articulares, quedas, impactos e movimentos excessivamente repetidos.
Fenômenos trombóticos são predispostos pelas atividades prolongadas
ao sol, que se acompanham de desidratação e acidose. Necrose
isquêmica de vilosidades intestinais e de papilas renais com
conseqüente perda crônica de sangue podem ocorrer nas atividades
excessivamente prolongadas. Isquemia do miocárdio pode ocorrer
quando a freqüência cardíaca sobe acima dos limites de tolerância
individuais. Ruptura de aneurismas ou de vasos cerebrais com
aterosclerose podem ocorrer quando a pressão arterial sobe
excessivamente durante a atividade. Depressão hormonal e imunológica
podem ser uma consequência de altos volumes de atividade física sem
recuperação adequada do organismo.
Nossa proposta em
atividade física para promoção de saúde em todas as idades é a
utilização de programas simples de condicionamento físico, que
possam estimular as aptidões importantes para a vida diária
confortável e segura, associando objetivos terapêuticos quando
necessário. O aprimoramento da aptidão com programas bem
estruturados poderá tornar possível e mais segura qualquer outra
forma de atividade física. Nossa experiência no CECAFI – Centro de
Estudos em Ciências da Atividade Física, da Disciplina de Geriatria
da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, é no sentido
de que programas que utilizam exclusivamente exercícios resistidos
estão se mostrando muito eficientes e seguros para os objetivos
mencionados, mesmo para pessoas muito debilitadas e com muita
comorbidade. Os principais grupos musculares podem ser ativados com
cinco à dez aparelhos em área física aproximada de 20 a 40 m2,
suficiente para o atendimento de 15 à 30 pessoas em cerca de uma
hora, duas vezes por semana. Para pessoas idosas recomendamos
aparelhos com sistema de alavancas em função da maior segurança e
conforto articular.
Para todos
recomendamos a caminhada freqüente como exercício aeróbio, desde que
a força muscular esteja em níveis compatíveis com a segurança na
marcha. Apenas para os envolvidos em esportes recomendamos
treinamento aeróbio mais intenso. A maioria dos idosos debilitados
não têm condições físicas para exercícios aeróbios, visto que a
simples locomoção já é um esforço anaeróbio. Ainda no caso de
idosos, são freqüentes as situações de dores articulares que impedem
o alongamento sistemático visando ganhos de flexibilidade. Com
freqüência, idosos sedentários não conseguem realizar com conforto e
segurança outro tipo de exercício que não o treinamento resistido.
As recomendações para programas de condicionamento físico nos
consensos de entidades propõem a associação de exercícios aeróbios,
exercícios de flexibilidade e de exercícios resistidos. Dois
aspectos no entanto devem ser esclarecidos: 1) o objetivos desses
programas é o desenvolvimento das qualidades de aptidão física,
visto que para a promoção de saúde qualquer tipo de atividade física
parece ser eficiente, desde que adequada às condições físicas das
pessoas e com gasto calórico adequado (44, 67, 75, 100). 2) a
utilização de exercícios resistidos isoladamente pelas pessoas que
assim o desejarem ou não apresentarem condições físicas para outras
atividade pode desenvolver aptidão física adequada para uma boa
qualidade de vida.
TREINAMENTO RESISTIDO E APTIDÃO FÍSICA
Todas as qualidades
de aptidão física são estimuladas pelos exercícios resistidos:
força, potência, resistência, flexibilidade e coordenação (1, 29).
O aumento da força
muscular ocorre devido à aplicação de sobrecargas tensionais
progressivas (29). Sempre que os músculos esqueléticos são
contraidos contra alguma resistência ocorrem graus variáveis de
tensão nas estruturas musculares, proporcionais à resistência. A
solicitação de função contrátil do músculo caracteriza uma
sobrecarga de tensão. Atividades com tensão muscular em níveis
adequados e repetidas com regularidade constituem o estímulo básico
para o aumento de proteinas contráteis no sarcoplasma das fibras
musculares, caracterizando a hipertrofia dos músculos esqueléticos.
A contração habitual dos músculos com sobrecarga tensional também
produz ao longo do tempo o aprimoramento da coordenação
neuro-muscular, no sentido do recrutamento de unidades motoras para
ação simultânea (77). A hipertrofia e a melhor coordenação resultam
em aumento da força muscular. Como qualquer sobrecarga, a graduação
da tensão é fundamental para que se obtenha aprimoramento de
funções, evitando-se os riscos de lesões ou outros efeitos
deletérios ao organismo. A aplicação graduada de sobrecarga
tensional aos músculos esqueléticos tem sido obtida de maneira
ideal, eficiente e segura, com a utilização dos exercícios
resistidos.
A velocidade dos
movimentos nas atividades físicas é uma forma de potência, traduzida
nesse caso como a capacidade de acelerar o corpo ou partes do corpo
(29). Como já vimos, a velocidade dos movimentos acompanha os níveis
de força muscular.
A resistência para
todos os tipos de esforços aumenta com o treinamento resistido (29,
42, 59). Prolongar esforços intensos depende basicamente da
resistência muscular, e prolongar esforços suaves depende da
capacidade aeróbia, medida pelo limiar anaeróbio(1). Embora com
discretos aumentos de potência aeróbia, exercícios resistidos por 10
semanas conseguiram aumentar em cerca de 50% a resistência para
pedalar até a exaustão (43).
A flexibilidade
tende a aumentar durante o treinamento resistido provavelmente
porque os limites dos movimentos são adequadamente solicitados nas
amplitudes articulares disponíveis (2, 29). O alongamento muscular
faz parte dos exercícios resistidos, ocorrendo durante a fase
excêntrica. Na vigência de processos patológicos, o ganho em
flexibilidade pode ser limitado por dor ou alterações anatômicas,
independente do tipo de exercício realizado. Os graus de
flexibilidade que pessoas sem alterações patológicas conseguem por
meio do treinamento resistido não são máximos, embora sejam mais do
que suficientes para uma boa qualidade de vida.
A coordenação
neuro-muscular melhora com a prática dos exercícios resistidos (29),
que por serem lentos e amplos, estimulam adequadamente as
terminações nervosas proprioceptoras. Dessa maneira melhora o
equilíbrio, a precisão de movimentos e a consciência corporal.
METABOLISMO ENERGÉTICO DOS EXERCÍCIOS RESISTIDOS
Do ponto de vista
metabólico os exercícios resistidos são sempre anaeróbios, a não ser
quando realizados com intensidade muito baixa, o que não é
normalmente utilizado (29). Como já vimos, o limiar anaeróbio
corresponde a cerca de 30 à 40% das fibras musculares em atividade,
e o treinamento resistido costuma recrutar porcentuais mais elevados
de fibras. A falta de oxigênio disponível nos músculos por ocasião
do início de esforços intensos é o principal determinante do
metabolismo anaeróbio nos exercícios com pesos. Além disto, a
contração de várias fibras musculares ao mesmo tempo leva à
interrupção parcial do fluxo sanguíneo ao músculo, dificultando o
metabolismo aeróbio. Após as primeiras repetições, o ácido láctico
começa a ser produzido em maiores quantidades, levando à fadiga
muscular. Os esforços anaeróbios são sempre interrompidos devido à
fadiga, exigindo intervalos de recuperação para a sua continuidade.
Todavia, durante os esforços anaeróbios, o organismo sempre tenta
ativar ao máximo a captação e transporte de oxigênio, por mecanismos
reflexos e imediatos. Dessa maneira ficamos dispneicos e
taquicárdicos após um esforço de alta intensidade, mesmo quando o
exercício é muito curto. No treinamento com pesos, os intervalos
para descanso ocorrem após alguns movimentos consecutivos. Assim
sendo, não há tempo de atividade suficiente para que a participação
aeróbia seja grande, o que também é dificultado pela interrupção
parcial do fluxo sanguíneo. Em esforços anaeróbios mais prolongados,
como nas corridas de velocidade por exemplo, a duração maior do
esforço permite que os mecanismos de captação e transporte de
oxigênio sejam ativados plenamente, podendo ser atingido o VO2
máximo do indivíduo. A via metabólica aeróbia em atividade durante
os exercícios anaeróbios, e nos seus intervalos de recuperação, é a
principal via metabólica para eliminação do lactato produzido. Assim
sendo, o ácido láctico formado na via anaeróbia, reconvertido a
precursores, é oxidado pela via aeróbia, e pode-se compreender o
aumento de enzimas oxidativas nas fibras musculares induzido por
esforços habituais não realizados em estado estável (aeróbio).
Exercícios
contínuos como corrida, ciclismo, natação ou ginástica, quando
realizados em intensidades anaeróbias, são considerados perigosos
para pessoas debilitadas, em grupo de risco cardiovascular, ou
portadoras de doenças e lesões do aparelho locomotor. Isto se deve a
que as sobrecargas aumentam proporcionalmente às intensidades, sendo
a anaerobiose apenas um indicativo de sobrecargas altas. No caso dos
exercícios resistidos, embora o metabolismo energético seja sempre
anaeróbio, o grau de segurança pode ser alto desde que as
intensidades não sejam máximas, como veremos posteriormente.
AUMENTO DA MASSA MUSCULAR
A aplicação de
sobrecarga tensional progressiva é o principal estímulo para aumento
da massa muscular (29,34, 95, 96). A tensão muscular tem um efeito
catabólico imediato, devido à ativação de proteases miofibrilares do
sarcoplasma. No repouso que se segue ao período de atividade,
aumenta acentuadamente a síntese proteica, estimulada por mecanismos
hormonais e celulares. Não havendo excesso de estímulo (over-training
no esporte), e estando o organismo em situação metabólica e
nutricional adequadas, ocorrerá a supercompensação, que vem a ser o
aumento do volume sarcoplasmático, conhecido como hipertrofia. Os
exercícios resistidos induzem hipertrofia nos dois tipos básicos de
fibras musculares que formam os músculos esqueléticos humanos:
fibras brancas e fibras vermelhas. As fibras vermelhas também são
identificadas em outras classificações como lentas, oxidativas ou do
tipo I. As fibras brancas são conhecidas também como rápidas,
glicolíticas ou do tipo II. Alguns grupos musculares humanos possuem
predominância de fibras brancas, enquanto que outros apresentam
maior quantidade de fibras vermelhas. Considerando-se os diversos
grupos musculares em conjunto, verifica-se que existe variação
inter-individual nas proporções entre fibras brancas e vermelhas.
Algumas pessoas possuem predomínio de um tipo sobre o outro, o que
as torna mais aptas para as atividades que dependem do tipo de fibra
predominante. As fibras vermelhas são recrutadas isoladamente das
brancas em atividades de baixa intensidade, quando a tensão muscular
durante a contração é pequena, e quando o metabolismo energético
predominante é o aeróbio. As fibras brancas, com metabolismo
predominante anaeróbio, são ativadas isoladamente nas atividades de
velocidade pura. Nas tarefas de força e potência, normalmente
utilizam-se as fibras vermelhas e brancas simultaneamente. No caso
do treinamento com pesos, se fossem realizados exercícios com
pequenas cargas, haveria ativação de poucas unidades motoras, todas
formadas por fibras vermelhas. Cargas maiores como normalmente se
utilizam, geralmente entre 70 e 90 % de 1RM para o treinamento
esportivo, ativam maior número de fibras, tanto brancas quanto
vermelhas. Embora não ocorra interconversão entre os tipos básicos
de fibras musculares em função do treinamento, a atividade física em
geral, incluindo os esforços anaeróbios, estimula a transformação
das fibras brancas II-B, glicolíticas, em fibras brancas II-A,
glicolíticas e oxidativas, também conhecidas como fibras
intermediárias.
Embora a
hipertrofia seja o principal mecanismo de aumento do volume dos
músculos esqueléticos, outros fenômenos também têm participação na
massa muscular (29, 95). A água intra-celular contribui muito para o
volume dos músculos, com um porcentual em peso superior a 70%. O
processo de hidratação das fibras musculares pode ser muito
estimulado por exercícios, entre eles os resistidos. A quantidade de
água intra-celular é proporcional aos depósitos de glicogênio, que
atrai moléculas de água na proporção aproximada de uma grama de
glicogênio para três gramas de água. A concentração de glicogênio em
músculos destreinados é cerca de 1,5%, e pode triplicar com o
treinamento adequado. Exercícios resistidos que utilizam poucos
movimentos, como o treinamento esportivo para força com repetições
entre uma e cinco, apresentam um metabolismo energético
predominantemente anaeróbio aláctico, dependente da utilização de
fosfocreatina como substrato metabólico. Exercícios com repetições
mais altas são mais dependentes da glicólise anaeróbia, o que leva
ao consumo maior das reservas de glicogênio. No repouso que se segue
à sessão de treinamento, o organismo repõe o glicogênio utilizado na
atividade, com tendência à supercompensação, que resulta em aumento
das reservas à níveis de até 4,5%. Com o aumento das reservas de
glicogênio, aumenta proporcionalmente a quantidade de água
intra-celular. Os músculos se tornam maiores e mais pesados, com
maior consistência ao tato, o que habitualmente é referido como “tonificação”.
A compreensão de que o aumento de consistência à palpação do músculo
treinado não de deve à hipertonia é importante, para que
contra-indicações ao treinamento resistido não sejam imaginadas,
como é o caso das doenças hipertônicas em geral.
Outro fenômeno
adaptativo induzido pelo treinamento e que contribui para o aumento
de volume muscular é de natureza extra-celular e consiste na maior
vascularização dos músculos treinados. No caso dos exercícios
resistidos, novamente o treinamento de força esportivo com poucas
repetições produz pouca vascularização, porque as quantidades de
ácido láctico produzidas são pequenas. Sendo a acidose local um
potente indutor de vascularização muscular, apenas os exercícios com
maior número de repetições e portanto mais dependentes da glicólise
anaeróbia produzem aumento importante da rede vascular.
Tanto a saturação
de glicogênio e água dos músculos esqueléticos quanto a sua maior
vascularização, são fenômenos dependentes da produção aumentada de
energia durante os exercícios. Essa maior produção energética pode
ser considerada uma forma de sobrecarga metabólica, própria da
atividade física. Assim sendo, podemos conceituar que a hipertrofia
dos músculos esqueléticos é estimulada pela sobrecarga tensional, e
que a ocorrência de maior hidratação e vascularização dependem de
sobrecarga metabólica adequada.
OUTROS EFEITOS DOS EXERCÍCIOS RESISTIDOS
Os exercícios
resistidos constituem o mais eficiente estímulo conhecido para o
aumento da massa óssea (16). Atletas treinados com pesos chegam a
apresentar densidade óssea cerca de 40 % maior em relação a
controles sedentários. O estímulo para aumento da massa óssea de
deve ao efeito piezoelétrico, decorrente das compressões dos ossos.
Aspecto relevante é nos exercícios resistidos a compressão óssea
ocorre sem impacto, portanto sem um importante fator de lesão nas
atividades físicas. Impacto pode ser conceituado como a
desaceleração brusca do corpo em movimento, e seu efeito benéfico
para a massa óssea se deve à ocorrência de forças compressivas
momentâneas. Os exercícios com impacto são potencialmente mais
lesivos para as articulações e para os ossos, e menos eficientes
para a massa óssea do que os exercícios resistidos. Essas qualidades
dos exercícios resistidos têm sido consideradas em propostas
terapêuticas e profiláticas para a osteoporose (55). A degeneração
das cartilagens hialinas não parece estar associada ao treinamento
resistido, embora se recomende evitar excesso de trauma esportivo
(28). Tendões e ligamentos ficam mais resistentes com o treinamento
resistido (29). Este fato, e a maior proteção dinâmica articular
proporcionada por músculos mais fortes, explicam a menor incidência
de lesões em atletas de diversas modalidades treinados com pesos
(21), e os efeitos terapêuticos para sintomas reumáticos há muito
observados (18).
Todos os tipos de
atividade física contribuem para a redução do tecido adiposo (29,
39, 70, 99). Condição indispensável para que ocorra mobilização da
gordura corporal é o balanço calórico negativo, cujo principal
mecanismo é a redução da ingestão alimentar. Sendo o tecido adiposo
a principal forma de reserva de energia do organismo, compreende-se
que quando faltam calorias na alimentação para suprir a demanda
energética, ocorre mobilização de gordura corporal. A contribuição
dos exercícios físicos em geral para o processo de emagrecimento
decorre do aumento no gasto calórico diário. No caso dos exercícios
resistidos, ocorre também o estímulo para aumento da taxa metabólica
basal devido ao aumento da massa muscular. Acredita-se que a
tendência das pessoas engordarem com a idade seja em grande parte
devido à redução da taxa metabólica basal decorrente de perda
progressiva de massa muscular. O fato de que a mobilização de
gordura ocorre apenas pela via energética aeróbia, levou à
conclusões precipitadas no sentido de que apenas os exercícios
aeróbios estimulariam o emagrecimento. Os trabalhos científicos não
confirmam esta hipótese. Ao contrário, numerosos estudos documentam
redução do tecido adiposo estimulada pelos exercícios resistidos,
alguns nos mesmos níveis dos que ocorrem com os exercícios aeróbios
(29, 99). Alguns trabalhos sugerem superioridade a longo prazo dos
exercícios com pesos para o objetivo de redução da gordura corporal,
em função do aumento da massa magra. A sensibilidade à insulina
aumenta, estimulada pelos exercícios resistidos.
Os exercícios
resistidos estimulam o aprimoramento da função contrátil do
miocárdio (17, 47). Nos esforços intensos envolvendo contrações
musculares isométricas, os corações de levantadores de peso
apresentam melhor função hemodinâmica do que os corações de
maratonistas, que nessas condições são semelhantes aos dos controles
sedentários, demonstrando a especificidade do treinamento (3).
Embora em treinamento esportivo crônico e intenso ocorra a
hipertrofia das paredes ventriculares e dos séptos, os parâmetros de
normalidade anatômicos e funcionais não são alterados. As câmaras
cardíacas não apresentam redução progressiva como na cardiomiopatia
hipertensiva ou hipertrófica, sendo normais os estudos
ecocardiográficos de atletas de alto nível treinados com pesos (12,
29). A hipertrofia cardíaca obtida nos exercícios contínuos é mais
acentuada do que a que ocorre nos exercícios resistidos. A pressão
arterial de repouso de pessoas treinadas com pesos tende à redução,
tal como ocorre com o treinamento aeróbio (10, 50). Os níveis de
triglicerídeos e de LDL-colesterol tendem a diminuir, enquanto os
níveis de HDL-colesterol tendem a aumentar (8).
SEGURANÇA DOS EXERCÍCIOS RESISTIDOS
A segurança
músculo-esquelética dos exercícios resistidos é dada pela adequação
ideal das sobrecargas às condições físicas dos praticantes (22, 29,
52, 56, 60, 68, 72, 74, 91, 92). As cargas são definidas como já
vimos por aproximação sucessiva, e no caso de doenças ou lesões,
devem ser limitadas pelas sensações dolorosas. Os aparelhos para
exercícios resistidos permitem contrações musculares contra
resistências muito mais baixas do que as habituais em movimentos de
ginástica clássicos, onde atua o peso corporal, muitas vezes
excessivo. A adequação das amplitudes de movimento também é
importante para garantir a segurança dos exercícios resistidos. Em
alguns casos deve ser muito limitada, com apenas poucos graus de
movimentação articular, em função de dores. Tanto as cargas quanto
as amplitudes devem ser gradativamente aumentadas, em pequenos
incrementos, sempre que possível. Nos exercícios resistidos não
ocorrem fatores de lesões comuns em esportes como acelerações e
desacelerações bruscas, torções, impacto, trauma direto e risco de
quedas. O volume do treinamento, dado pela duração das sessões e
pela sua freqüência semanal, pode ser também adequadamente adaptado
às condições individuais, e lentamente evoluir. Não existem
evidências de interferências do treinamento resistido no crescimento
estatural de crianças e adolescentes (52, 68, 92).
A segurança
cardiovascular dos exercícios resistidos é garantida pela adequação
do duplo-produto às condições individuais (4, 5, 7, 14, 29, 33, 62,
63, 64, 89, 90). A freqüência cardíaca (FC) nos exercícios
resistidos em geral é menor do que a habitual em exercícios
contínuos. Fatores que podem aumentar a FC nos exercícios resistidos
são as repetições altas, acima de dez, os intervalos de descanso
entre séries curtos, abaixo de um minuto, e o esforço máximo.
Portanto, em treinamento resistido para pessoas debilitadas ou em
grupo de risco cardiovascular, mantemos as repetições na faixa de
oito a doze, os intervalos entre séries entre um e dois minutos, e o
grau de esforço em nível sub-máximo. A pressão arterial tende a
subir em todas as formas de exercício físico. Nos exercícios
contínuos a tendência é a elevação da pressão sistólica e queda ou
manutenção da diastólica. Nos exercícios resistidos a pressão
sistólica aumenta em picos no começo da contração concêntrica, e
pode atingir valores perigosos para grupos de risco cardiovascular
nas contrações lentas em apnéia. Essa situação caracteriza o esforço
máximo em treinamento resistido, que não deve ocorrer em pessoas
debilitadas. Por outro lado, durante exercícios resistidos a pressão
arterial diastólica tende a aumentar, sendo um dos fatores que
explica a menor incidência de intercorrências arrítmicas e
isquêmicas em coronarianos, comparativamente a exercícios aeróbios
(7, 29). O aumento da pressão arterial diastólica durante os
exercícios resistidos garante maior fluxo coronariano. Outro fator
explicativo da boa tolerância cardiovascular dos exercícios
resistidos com grau de esforço sub-máximo, é a menor freqüência
cardíaca, que traduz menor trabalho do coração, em relação à
exercícios aeróbios. Outro fator de maior segurança, sempre em
comparação com exercícios aeróbios, é o menor volume diastólico
final dos ventrículos, que determina baixa pressão de parede do
miocárdio e conseqüentemente melhor circulação coronariana
sub-endocárdica. Isto ocorre porque mesmo sem apnéia, a expiração
controlada nos exercícios resistidos aumenta a pressão
intra-toráxica, reduzindo o retorno venoso e o volume diatólico
final. Nos exercícios contínuos, onde a sobrecarga cardíaca é dita
“de volume”, em contraste com a sobrecarga “de pressão” dos
exercícios resistidos, o volume diastólico final é elevado, com
maior pressão de parede no miocárdio, e circulação coronariana
dificultada. A relação Pressão Diastólica / Duplo-Produto tem sido
considerada um bom indicativo da relação oferta/demanda de oxigênio
para o miocárdio e é francamente favorável aos exercícios resistidos
em relação aos exercícios aeróbios. Em um estudo com coronarianos em
processo de reabilitação cardíaca pós infarto do miocárdio, a
incidência de arritmias e/ou isquemia foi de 70% em exercícios
aeróbios e de apenas 3% em exercícios resistidos. Em outro estudo
com a mesma população, 40 % dos pacientes exercitados em esteira
apresentaram sinais eletrocardiográficos de isquemia durante a
atividade, contra nenhum caso nos mesmos pacientes em treinamento
resistido intenso. Os três casos de hemorragia cerebral documentados
na literatura em associação com treinamento de força foram
atribuídos à ruptura de aneurismas congênitos. Em mais de 26.000
testes de carga máxima realizados em ambiente universitário nenhum
caso de acidente cardiovascular foi documentado. A manobra de
Valsalva aumenta as respostas pressóricas do exercício resistido e é
considerada um indicativo de grau de esforço inadequado para
cardiopatas em geral. Mas por outro lado, a apnéia aumenta
instantaneamente a pressão externa sobre as artérias toráxicas,
abdominais e cerebrais, diminuindo a probabilidade de rupturas pelo
equilíbrio das pressões transmurais. Quando a apnéia se prolonga
ocorre redução do volume sistólico devido à redução do retorno
venoso, com conseqüente queda da pressão arterial.
ASPECTOS TÉCNICOS DO TREINAMENTO RESISTIDO
Os exercícios
resistidos são realizados no sistema de séries e repetições.
Repetições são os movimentos repetidos que se realizam
seqüencialmente, sem descanso. Uma série é um conjunto de
repetições, seguidas por um intervalo de descanso. A resistência à
contração muscular pode ser proporcionada por mecanismos
eletromagnéticos ou hidráulicos, por molas ou elásticos, mas
geralmente é dada por pesos. Os pesos podem ser utilizados na forma
de barras longas e curtas, às quais se acoplam pesos circulares
chamados anilhas para formar os halteres. Esse equipamento clássico
são os chamados pesos livres. Também são comuns aparelhos onde os
pesos são acoplados na forma de anilhas ou de placas guiadas.
Aparelhos com sistema de alavancas e anilhas estão sendo cada vez
mais utilizados, para todas as finalidades de treinamento. Com esse
sistema mecânico é possível projetar aparelhos que potencializam a
eficiência da contração muscular, e que reduzem ao mínimo as
sobrecargas nas articulações. A simplicidade mecânica desses
aparelhos tem as vantagens adicionais da ausência de manutenção e do
custo acessível.
Os exercícios
resistidos geralmente são isotônicos ou seja, apresentam alternância
de contrações concêntricas e excêntricas. Na contração concêntrica a
força gerada pela contração muscular é maior do que a resistência
oposta ao movimento, o que determina o encurtamento do músculo. Na
contração excêntrica a força muscular é menor do que a carga,
ocorrendo então o alongamento do músculo apesar da contração. Quando
o exercício é levado até a exaustão muscular momentânea pode ocorrer
uma fase isométrica do exercício, quando apesar da contração
muscular a articulação não se move, visto que a força gerada apenas
equilibra a carga. Apenas nessa fase isométrica a pressão arterial
pode elevar-se de forma acentuada, o que contra-indica os movimentos
até a exaustão sempre que não for seguro o aumento pressórico.
As técnicas de
treinamento resistido estão razoavelmente sistematizadas para
esportes e aptidão (29, 52, 53, 92, 102), mas para populações
debilitadas, terapêutica e reabilitação, existem apenas orientações
gerais (19, 20, 23, 24, 25, 26, 27, 29, 32, 33, 35, 37, 54, 63, 64,
65, 71, 89, 90, 97). Com base na literatura e em nossa experiência
pessoal (80, 81, 82, 83, 84) propomos algumas condutas, adiante
especificadas, que são utilizadas e investigadas no CECAFI / USP.
A faixa de
repetições habitualmente utilizada em treinamento resistido é de uma
à 20. A definição das repetições que serão utilizadas deve estar em
função dos objetivos pretendidos. O treinamento clássico para força
utiliza repetições baixas, entre uma e cinco, com cargas
evidentemente maiores do que as necessárias para mais repetições.
Repetições mais altas, entre 15 e 20, são as mais utilizadas para
desenvolver resistência muscular. No entanto, a faixa de repetições
mais utilizada em treinamento esportivo ou terapêutico é de seis à
15, geralmente entre oito e 12. Com essa faixa de repetições
consegue-se uma mescla interessante de efeitos, com aumentos
consideráveis na força e na resistência, e com menores sobrecargas
músculo-esqueléticas e cardiovasculares. Na área esportiva, quando
se faz referência a um dado número de repetições, normalmente
considera-se que repetições adicionais não são possíveis devido à
exaustão momentânea da capacidade contrátil dos músculos. Assim
sendo, utiliza-se por exemplo 10RM para indicar que a pessoa faz 10
repetições máximas. Nessa situação, a maioria das pessoas aponta os
números 19 ou 20 na escala subjetiva de esforço de Borg. No caso de
exercícios terapêuticos, para pessoas idosas ou debilitadas, as
cargas necessárias para repetições máximas podem ser excessivas, e
portanto pode ser conveniente a utilização da designação 10 RsM ou
seja, 10 repetições sub-máximas.
Em exercícios
terapêuticos geralmente são utilizados um ou dois exercícios por
grupo muscular, e o número de séries varia entre duas e quatro. O
mais habitual é a utilização de um único exercício por grupo
muscular, com três séries, sendo a primeira e a segunda consideradas
como aquecimento. Na primeira série utiliza-se cerca de 50% da carga
da terceira, e na segunda, cerca de 75%. Apenas a terceira série é
considerada estímulo de treinamento. Eventualmente essa série
“pesada” pode ser repetida, com a mesma carga. A escolha da carga é
definida por aproximação sucessiva, sempre das menores possíveis
para as maiores, em função de segurança. Para o treinamento
sub-máximo, onde não ocorrem movimentos até a falência muscular, a
carga da terceira série é definida observando-se a dificuldade
apresentada para completar o número de repetições planejado. Quando
a contração concêntrica se torna lenta, portanto próxima da
isometria, interrompe-se a série. Esse ponto do exercício também
pode ser identificado pela tendência incontrolável para a apnéia.
Nessa situação, a maioria das pessoas classifica o esforço como
“difícil”, em torno de 15 na escala subjetiva de esforço de Borg. As
cargas devem ser aumentadas sempre que for possível realizar mais
repetições até o ponto de interrupção de série: falência muscular no
treinamento com esforço máximo, ou lentidão de movimentos no
treinamento sub-máximo. O teste de carga máxima (1RM) tem sido
utilizado para documentação da força disponível. No entanto, a sua
utilização para que se calculem porcentuais de carga para
treinamento é uma proposta que não tem sido muito utilizada: é mais
trabalhosa que o método clássico de aproximação sucessiva, e implica
em maiores sobrecargas músculo-esqueléticas. Embora possível em
muitas situações, no caso de doenças ou lesões do aparelho
locomotor, consideramos esse procedimento formalmente
contra-indicado.
A freqüência ideal
de treinamento parece ser de duas sessões semanais para cada grupo
muscular, o mais possível espaçadas na semana. Eventualmente o
treinamento pode ocorrer em mais de dois dias semanais, porém
utilizando-se o sistema dividido de treino, onde apenas alguns
grupos musculares são exercitados em cada sessão.
APLICAÇÕES TERAPÊUTICAS DOS EXERCÍCIOS RESISTIDOS
Como em outras
formas de exercício físico, consideram-se efeitos terapêuticos o
aprimoramento funcional, o fortalecimento das estruturas
articulares, os estímulos circulatórios tróficos, os estímulos
moduladores na resposta imune e da inflamação, e a analgesia
neuro-endócrina. Conseqüentemente melhoram as qualidades de aptidão
física, aumenta a estabilização dinâmica das articulações, ocorre
tendência para a resolução de processos inflamatórios crônicos, e os
sintomas dolorosos tendem a diminuir (35). Particularmente em
pessoas idosas, algumas situações patológicas e de
descondicionamento físico em que a literatura e/ou a nossa
experiência (80, 81, 82, 83, 84) têm demonstrado bons resultados na
aplicação dos exercícios resistidos são: inaptidão (19, 20, 23, 24,
25, 26, 27, 29, 32, 37, 44, 100), sarcopenia (19, 20, 23, 24, 25,
26, 27, 29, 32, 37, 44, 100), osteoporose (19, 20, 23, 24, 25, 26,
27, 44, 49, 55, 65, 100), diabetes do tipo II (19, 20, 23, 24, 44,
76, 79, 88, 100), dislipidemias, obesidade (19, 20, 23, 24, 29, 44,
99, 100), hipertensão arterial sistêmica (10, 19, 23, 24, 44, 50,
97, 100), coronariopatias (7,33, 63, 71, 89, 90, 97), insuficiência
cardíaca (11, 41, 58, 97), asma e DPOC (6, 41, 87), insuficiência
arterial periférica, instabilidades articulares (18, 73), artroses
(18, 86), artrites (18), artralgias idiopáticas (18), entesopatias
(18), tendinites e tenosinovites (18), capsulites (18), distrofia
reflexa (18), bursites (18), fasciite (18), fibrosite/fibromialgia
(18), paniculite (18), discopatias e dores referidas ou irradiadas
na coluna vertebral (9, 18, 36) , distúrbios posturais (18, 36, 73),
neurites periféricas, hemiplegia por AVC (15, 73, 94, 98), doença de
Parkinson (73), paralisia cerebral (13, 31, 57, 73), sintomas
psicossomáticos e depressão (73).
A situação atual do
conhecimento não permite afiançar superioridade terapêutica dos
exercícios resistidos para todas as situações elencadas. Bons
efeitos também têm sido documentados com outras formas de
exercícios, de tal maneira que estudos comparativos são necessários.
No entanto, com freqüência, os profissionais envolvidos com
exercícios terapêuticos são alvo de campanhas destinadas a promover
métodos e técnicas, sem que evidências científicas tenham confirmado
a suposta indicação preferencial divulgada. Tal é o caso de métodos
de reeducação postural, exercícios em cadeias e técnicas de
alongamentos. A observação sugere que os benefícios obtidos com o
alongamento muscular isoladamente também ocorrem nos exercícios
resistidos, associados ao fortalecimento. Nos exercícios isotônicos
resistidos o encurtamento muscular rápido da fase concêntrica é
seguido do alongamento mais lento dos músculos na fase excêntrica.
Sem especulações, podemos apenas afirmar que as características
singulares de eficiência e segurança dos exercícios resistidos e as
evidências já disponíveis, colocam em destaque essa forma de
treinamento físico em promoção de saúde, terapêutica e reabilitação,
em todas as idades.
Atualmente os
programas de condicionamento físico para idosos estão enfatizando
cada vez mais os exercícios resistidos, em função da documentação de
suas qualidades (19, 20, 23, 24, 25, 26, 27, 29, 32, 35, 37, 44, 54,
61, 65, 71, 76, 86, 97, 100). Aspecto que vem sendo muito valorizado
é a grande oportunidade de socialização proporcionada pelas sessões
de exercícios com pesos. Isto se deve à que os exercícios, embora
individuais, são realizados em grupos, onde cada pessoa se sente
companheira da outra, com um objetivo em comum que é o treinamento.
Os exercícios não produzem sensação de desconforto respiratório e
são interrompidos para intervalos de descanso, favorecendo a
interação verbal entre as pessoas.
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